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Dinheiro traz felicidade? Economista responde

A resposta conflitante para essa pergunta envolve economia, psicologia e até a nossa visão de mundo Dinheiro, bufunfa, grana, money, dindim… seja lá o apelido que ele ganhe, ninguém pode negar que o dinheiro é a razão de muita alegria - mas também de muito sofrimento por aí. É também por dinheiro que levantamos cedo […]

3 mar 2026 - 16h03
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A resposta conflitante para essa pergunta envolve economia, psicologia e até a nossa visão de mundo

Dinheiro, bufunfa, grana, money, dindim… seja lá o apelido que ele ganhe, ninguém pode negar que o dinheiro é a razão de muita alegria - mas também de muito sofrimento por aí. É também por dinheiro que levantamos cedo para trabalhar, e é com ele que fazemos um conjunto de coisas incríveis: uma viagem dos sonhos, uma capacitação profissional importante ou até aquele objeto que você sempre quis ter na infância, mas não teve condições de comprar. 

Dinheiro traz felicidade? Economista responde
Dinheiro traz felicidade? Economista responde
Foto: Revista Malu

Entretanto, também é por dinheiro que boa parte dos crimes, incluindo guerras, acontecem. Se não alcançamos a paz mundial, pode ter certeza que também envolve os lucros dos fabricantes de armas. E se extraterrestres existem, descobrir que em troca de números em cédulas de papel (ou por trás de uma tela digital) a humanidade reza, briga e até mata, talvez eles passem a achar que a raça humana é que é a estranha, afinal. O dinheiro move o mundo e os nossos planos. Mas ele traz felicidade?

Bem, sim

E alguns dados reforçam essa ideia. Em 2022, por exemplo, a Finlândia foi considerada pela ONU pelo 7° ano consecutivo o país mais feliz do mundo, de acordo com a 10ª edição do Relatório Anual da Felicidade no Mundo. E não adianta tentar fugir de que por trás da felicidade finlandesa não está também sua estrutura social bem amparada, inclusive financeiramente. Nessa mesma lista, países como Afeganistão e Líbano apareceram nas últimas posições, e ambos enfrentam desafios tanto em suas economias quanto em suas estruturas sociais. 

Na verdade, por trás da maioria das crises políticas e sociais, normalmente há também uma crise econômica. Muitos se perguntam como o nazismo cresceu tão rápido na Alemanha dos anos 30 e 40, por exemplo, ignorando que o país vivia a maior crise financeira de sua história na época em que Adolf Hitler apareceu cheio de promessas vazias (e com muita monstruosidade).

Então, a solução para todos os problemas é o dinheiro? Se você já viveu o suficiente, sabe que também não é por aí. Não é preciso ir longe para encontrar celebridades e empresários que "têm de tudo", mas enfrentam desafios tão dolorosos quanto os de qualquer outra pessoa. Recentemente, a cantora Lexa perdeu sua filha, Sofia, com apenas três dias de nascida, após complicações em um parto de emergência. Toda a fortuna da Apple à disposição de Steve Jobs não foi suficiente para curá-lo quando ele morreu com apenas 56 anos de um câncer no pâncreas. O dinheiro é capaz de resolver muitos problemas, mas como diria o velho ditado: felicidade não se compra.

Então, por que acreditamos que dinheiro faz tudo?

De forma resumida? Capitalismo. Em nosso atual sistema econômico, tudo é mercadoria, inclusive itens essenciais. E se em países como a Finlândia a renda está melhor distribuída entre a população, no nosso Brasil (que está em 38º lugar no ranking e é considerado pela Organização Mundial da Saúde como a segunda nação mais deprimida do continente americano), o acesso a esses direitos não está disponível para todo mundo justamente por falta de dinheiro, daí um motivo para o sofrimento. "Normalmente acreditamos que não há limite para a riqueza. Sendo rico, a impressão é que você pode tudo. Mas tem limite para a pobreza, que é a morte por falta de alimentação ou frio, por exemplo. Para quem não tem nada e passa fome, não é sequer possível discutir o que é felicidade, porque as necessidades básicas da pessoa já não estão sendo atendidas", reflete a economista e conselheira do conselho regional de economia de São Paulo (Corecon-SP), Carla Beni.

Para ela, as questões individuais se misturam às sociais nesse aspecto. "Quando você vive em um estado que te garante o básico, sua tendência é focar mais em seu bem-estar. Na Austrália, por exemplo, onde há uma melhor estrutura social, é comum que os jovens queiram arrumar um emprego e viver a vida. Já no Brasil, onde é preciso trabalhar muito para se ter o básico, surge uma certa obsessão pela riqueza como uma forma de conseguir felicidade. Mas, na verdade, o que isso esconde é a ineficiência do setor público, já que o que essa pessoa está fazendo é tentar suprir essas carências através do que é privado", reflete.

Não, dinheiro não traz felicidade 

Parece contraditório, eu sei, mas me permita elaborar: o dinheiro é uma forma de acesso, mas ele não traz felicidade sozinho. Quem explica melhor é Flávia da Veiga, Especialista em Ciência da Felicidade e CEO da BeHappier. "A felicidade autêntica vai muito além da riqueza material. Estudos mostram que, após atingir um nível básico de segurança financeira — onde as necessidades essenciais como moradia, alimentação e saúde estão garantidas —, fatores como relacionamentos significativos, propósito de vida, saúde mental e bem-estar emocional passam a ser os principais determinantes da felicidade", esclarece.

Então sim, cientificamente falando, aquele carro ou bolsa de luxo é uma felicidade ilusória. Em um resumo da psicóloga Cristiane Pertusi: "Depois de suprir nossas necessidades, o que vai realmente influenciar na felicidade são nossas relações, inclusive com nós mesmos, já que descobrir propósitos de vida e acumular experiências é muito mais importante que ter dinheiro apenas por ter."

Sim, a felicidade financeira até existe, mas o que a ciência descobriu até agora é que ela tem um limite.  Um artigo de 2010 publicado pela universidade de Princeton, nos EUA, e escrito pelos pesquisadores Daniel Kahneman e Angus Deaton, concluiu esse "platô" em cerca de US$ 75 mil anuais para os estadunidenses na época. Depois disso, rendas maiores não alteravam em nada a felicidade dos indivíduos. "Em outras universidades, como a de Illinois, alguns estudos concluíram que sociedades que priorizam o sucesso financeiro apresentam menor felicidade geral, na realidade", complementa Flávia.

Em conclusão…

Depois de conseguir a sonhada vida confortável, com acesso a lazer, educação, saúde, segurança e um futuro, o que vai definir se alguém é feliz ou não será a sua forma de encarar a vida. "Dinheiro sem conexão, sem propósito e sem vínculos significativos pode gerar vazio, ansiedade e até isolamento. Mas quando utilizado para criar experiências enriquecedoras, apoiar nossos valores e fortalecer laços, ele se torna um meio poderoso para o bem-estar", explica a terapeuta Daniella Villar. Sim, essa pode ser a razão do porque algumas pessoas são muito ricas, mas vivem infelizes (e discutindo com todo mundo na internet!)

A resposta para a pergunta que abriu essa matéria, como já deve ter dado para perceber, é "depende". O dinheiro, no fim das contas, é apenas um meio de troca. Ele existe para pagar aquilo que se paga com dinheiro, e por si só, não trás felicidade ou sofrimento. Para concluir, Daniella nos deixa uma provocação. "A verdadeira pergunta, então, não é se o dinheiro traz felicidade, mas sim: qual papel o dinheiro tem tido na nossa vida?"

"Numa sociedade de consumo, associar dinheiro e felicidade facilmente vira obsessão, já que felicidade não pode ser mercadoria. Não se preenche vazio existencial rodando em círculos no shopping." Carla Beni

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