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O que é o Estreito de Ormuz, que o Irã ameaça fechar

28 fev 2026 - 14h16
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Gargalo do comércio de petróleo, via marítima escoa cerca de 20 milhões de barris por dia. Após ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, forças do regime iraniano têm advertido navios a não passarem pela área.Após o início da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel, forças militares do Irã têm advertido neste sábado (28/02) navios petroleiros de que eles não têm permissão para navegar pelo Estreito de Ormuz, via por onde transitam navios vindos do Golfo Pérsico em direção ao Mar Arábico.

Via por onde os petroleiros podem navegar tem largura reduzida, o que a torna congestionada e perigosa
Via por onde os petroleiros podem navegar tem largura reduzida, o que a torna congestionada e perigosa
Foto: DW / Deutsche Welle

As advertências foram captadas por forças militares europeias baseadas na região para proteger rotas de navegação. Segundo fontes, a advertência tem sido propagada aos petroleiros via rádio por forças da Guarda Revolucionária do Irã.

Oficialmente, o regime iraniano não confirmou planos para bloquear o estreito, mas, e concretizada, a medida tem potencial de estrangular o fluxo de quase um quarto do petróleo comercializado por via marítima e atingir duramente interesses do Ocidente, provocando alta de preços e desestabilizando a economia global.

Com apenas 33 quilômetros de largura, o Estreito de Ormuz é o gargalo para o transporte de petróleo mais importante do mundo, na definição da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).

No seu ponto mais estreito, a via pela qual os navios podem navegar tem apenas 3,2 quilômetros de largura em cada direção, o que a torna congestionada e perigosa.

Grandes volumes de petróleo bruto extraídos por países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, passam pelo estreito antes de chegarem a países consumidores em todo o mundo.

Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis sejam transportados por ali diariamente, segundo dados da Vortexa, uma consultoria do mercado de energia e frete.

O Catar, um dos maiores produtores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), também depende fortemente do estreito para transportar suas exportações da commodity.

Qual é a situação atual no estreito?

A escalada do conflito aumentou a tensão sobre a segurança da hidrovia.

No ano passado, em meio à guerra de 12 dias entre Israel e Irã, o regime de Teerã já havia ameaçado fechar o Estreito de Ormuz ao tráfego em retaliação à pressão de países do Ocidente. Uma medida nesse sentido chegou a ser aprovada pelo Parlamento iraniano, mas não foi colocada em prática.

Agora, as advertências captadas por petroleiros na região sinalizam que o Irã pode estar tentando fechar o estreito.

No momento, o Departamento de Transportes dos EUA vem instando os navios comerciais a se manterem afastados da região Golfo.

Segundo o governo dos EUA, o Estreito de Ormuz, o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e o Mar Arábico estão sujeitos a "atividade militar significativa" e "recomenda-se que os navios se mantenham afastados desta área, se possível", afirmou a Administração Marítima do departamento em comunicado.

Os navios com bandeira, propriedade ou tripulação dos EUA também devem permanecer a 30 milhas náuticas de qualquer embarcação militar dos EUA para evitar serem confundidos com uma ameaça, disse o comunicado.

Como não parece haver um fim à vista para o conflito, os mercados já estão em alerta. Qualquer bloqueio da hidrovia ou interrupção no fluxo de petróleo pode provocar um forte aumento nos preços do petróleo bruto e afetar os países importadores, especialmente na Ásia.

No ano passado, em meio à guerra de 12 dias, o frete dos navios que transportam petróleo bruto e derivados na região aumentou. À época, o custo do transporte de combustíveis do Oriente Médio para o Leste Asiático subiu quase 20% em apenas um dia. Já o frete para a África Oriental aumentou mais de 40%.

Na sexta-feira à noite (27/12), a cotação do barril de petróleo Brent fechou o mercado de futuros de Londres em alta ao chegar aos 72,48 dólares, o valor mais alto desde dos últimos sete meses, já devido às tensões geopolíticas entre Estados Unidos e o Irã.

Os mercados atualmente seguem fechados para o fim de semana, mas analistas esperam oscilações de preços na próxima semana, com um aumento maior dos preços e um impacto mais duradouro devido a uma interrupção do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

Quem seria mais afetado em um bloqueio?

A EIA estima que 82% dos carregamentos de petróleo bruto e outros combustíveis que atravessam o estreito vão para consumidores asiáticos.

China, Índia, Japão e Coreia do Sul são os principais destinos - esses quatro países juntos respondem por quase 70% de todo o fluxo de petróleo bruto e condensado que atravessa o estreito.

Esses mercados provavelmente seriam os mais afetados por interrupções no transporte marítimo ali.

Existem alternativas ao estreito?

Países do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, desenvolveram nos últimos anos infraestruturas que lhes permitem transportar parte de seu petróleo bruto por outras rotas, contornando o estreito.

A Arábia Saudita, por exemplo, opera o Oleoduto Leste-Oeste, com capacidade para transportar cinco milhões de barris por dia até o Mar Vermelho. E os Emirados Árabes Unidos têm um oleoduto que liga seus campos petrolíferos terrestres ao terminal de exportação de Fujairah, no Golfo de Omã.

A EIA estima que cerca de 2,6 milhões de barris de petróleo bruto por dia produzidos na região poderiam contornar o Estreito de Ormuz em caso de bloqueio da hidrovia.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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