Empresas apostam em soluções sustentáveis que envolvem a comunidade e diminuem o impacto ambiental
Nespresso e Agrobee participaram do último dia da Conferência Brasil Verde, realizada pelo Estadão
Para contribuir para um desenvolvimento sustentável, os negócios devem investir em várias frentes, buscando diferentes soluções para diminuir seus impactos ambientais. A gestão com boas práticas ESG (que envolve os aspectos ambientais, sociais e de governança) pode fazer com que empresas ganhem relevância no mercado no momento atual, com os consumidores já percebendo a urgência da preservação da natureza.
Nesta sexta-feira, 27, o assunto abriu as discussões da Conferência Brasil Verde 2021, evento online realizado pelo Estadão. Representantes da empresa de cafés Nespresso e da startup Agrobee, que conecta produtores rurais e criadores de abelhas, falaram um pouco sobre suas soluções sustentáveis.
Guilherme Amado, líder do programa AAA de Qualidade Sustentável da Nespresso no Brasil e no Havaí, explicou que o programa estabelece um relacionamento com as fazendas que produzem cafés adquiridos pela marca, com iniciativas focadas na qualidade, sustentabilidade e produtividade. As fazendas são acompanhadas por um agrônomo, que monitora todo o trabalho. São 1.200 fornecedores cadastrados, nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
O líder da Nespresso usou o exemplo da Fazenda Recreio, em São Sebastião da Grama (SP), para explicar quais são os impactos do programa. A propriedade trabalha com a marca desde 2009 e passou por um processo de adequação ambiental, incluindo a regeneração de áreas de nascentes pelo plantio de árvores, através do Programa de Reflorestamento e Restauração, além da construção de fossas sépticas para as casas dos funcionários.
"Isso é importante porque a proteção do que nós chamamos serviços ecossistêmicos, que são água, solo, polinizadores, todo esse pacote de serviços, é importante para garantir a produção de café. Avançando nessa agenda ambiental, o primeiro grande reconhecimento da fazenda veio em 2014, com a certificação da Rainforest Alliance, que foi o parceiro original na criação do programa AAA em 2003. A fazenda se tornou uma referência para a região", disse Amado.
A região da Fazenda Recreio, chamada Vale da Grama, tem solo fértil, vegetação da Mata Atlântica e áreas de plantio de oliveiras, macadâmias e abacates, além do café. Amado afirmou que a ideia é não somente trabalhar nas fazendas, mas na região toda.
"O vale é muito importante para nós, e acabou se tornando um modelo de desenvolvimento sustentável local. É importante investir em capital social, que é fortalecer as lideranças, para que eles assumam o protagonismo dessa iniciativa e para que haja esses relacionamentos na região. Quem planta café, oliveira, macadâmia ou abacate, queremos conectar esses atores dentro de uma visão comum", disse.
A Nespresso tem parceria com a SOS Mata Atlântica para a restauração florestal da fazenda e também da região como um todo, realizando plantios em propriedades que não fornecem para a marca. Já foram plantadas 70 mil árvores, com a meta de chegar a 100 mil até o fim do ano. O objetivo é plantar 700 mil árvores na região.
'Uber das abelhas'
Além da Nespresso, outra empresa que apresentou algumas de suas iniciativas foi a startup Agrobee, que oferece uma plataforma para conectar produtores rurais e criadores de abelhas, através de um aplicativo que utiliza a geolocalização. A empresa ficou conhecida como "Uber das abelhas". "Nossa filosofia aqui é 'abelha no campo para o bem do planeta'. Trabalhamos para colocar as abelhas no campo e promover a sustentabilidade", disse Andresa A. Berretta, cofundadora da Agrobee.
Andresa citou um dado da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) de que será preciso aumentar a produção de alimentos em 70% até 2050 para promover a segurança alimentar. "E, quando falamos em segurança alimentar, não só falamos da necessidade de alimentos para suprir a demanda, mas também da qualidade dos alimentos", afirmou.
Segundo ela, o trabalho de polinização assistida com as abelhas contribui para a superação desse desafio, pois traz mais produtividade, qualidade e variabilidade. Andressa explicou que a polinização é um serviço importante para que produtores consigam alimentos maiores e melhores. Além disso, possibilita mais produtividade, com menos consumo de área, sem necessidade de desmatar, menos consumo de água, menos emissão de carbono, menos consumo de defensivos e outros produtos químicos.
Como no Brasil as abelhas são usadas basicamente para a produção de mel e própolis, o serviço oferecido pela Agrobee ganha importância. "A polinização, de certo modo, é uma novidade que trazemos para o Brasil a exemplo de outros países que já fazem isso. Cuidamos para que o criador de abelhas esteja com as abelhas corretas, na quantidade adequada e tenha um transporte seguro. Fazemos monitoramento dessas abelhas para que elas façam um serviço eficiente", disse.
Hoje, a Agrobee tem uma equipe composta por cientistas, agrônomos, engenheiros e administradores, e atua nas culturas de café, abacate, caju, girassol, morango e soja. A empresa estuda novas abelhas e culturas em relação ao processo de polinização. A startup também tem outras iniciativas de impacto, como um trabalho de conscientização sobre a importância das abelhas em escolas.
"Aumentar a produção de alimentos com sustentabilidade através das abelhas é possível. É sustentável economicamente e também tem uma responsabilidade social, porque gera mais renda para o criador de abelhas. Além de proteger, em última instância, as abelhas. Nós tivemos uma alta mortandade das abelhas nos últimos anos, como consequência de um uso inadequado de defensivos. Quando a gente promove o processo de polinização assistido inteligente, a gente trabalha com uso racional desses defensivos", afirmou.