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Economia brasileira está quase no limite da capacidade de produção

Bancos veem fim de período de ociosidade na indústria como resultado de estímulos do governo e retomada da atividade depois da pandemia; cenário pressiona definição de juros

16 set 2022 - 05h11
(atualizado às 08h17)
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Turbinada por estímulos fiscais concedidos pelo governo e pela forte retomada da atividade com o fim das restrições impostas pela covid-19, a economia brasileira, se já não passou, está quase no limite de sua capacidade de produção pela primeira vez em pelo menos sete anos. A ociosidade aberta na recessão doméstica de 2015/2016 e aprofundada na pandemia foi praticamente ocupada com o retorno rápido da atividade. Agora, a discussão entre economistas é se o País já não estaria crescendo mais do que pode, o que significa pressão sobre a inflação e maior dificuldade para o Banco Central administrar a política de juros.

O debate é alimentado pela divulgação de indicadores acima das expectativas, em especial o Produto Interno Bruto do segundo trimestre, com alta de 1,2% quando o consenso do mercado era de 0,9%. Para economistas de bancos como Santander, Bradesco e Fibra, a economia já roda entre 0,6% e 3,2% acima de seu potencial. Nas contas do Santander, a última vez que isso aconteceu foi no primeiro trimestre de 2014.

'Prévia' do PIB do BC indica alta de 1,17% da economia em julho

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  • É possível também, segundo parte dos analistas, que o mercado de trabalho fique mais apertado, faltando, inclusive, mão de obra em alguns setores. A consequência seria maior pressão sobre os salários. "Talvez ainda seja exagero dizer que a economia está superaquecida, mas há uma aparente contradição quando, apesar dos juros mais altos, a taxa de desemprego caminha para 8,5%, sendo que a média histórica é próxima de 11%", comenta o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso. "Vamos aguardar as cenas do próximo capitulo para entender se existe mesmo um superaquecimento", acrescenta.

    De acordo com Caruso, o atual nível de desemprego, no menor patamar em sete anos, não é compatível com uma inflação dos serviços muito abaixo de 7,5%, dificultando a tarefa do BC de levar os preços ao centro da meta. "Tem que rezar para a inflação nas outras categorias rodar abaixo de 1%."

    Economista do Santander, Gabriel Couto destaca que o aquecimento da demanda se choca agora com uma economia que funciona com baixa ociosidade, o que aumenta o desafio do BC. "É mais uma barreira no combate à inflação", afirma Couto.

    Com a desaceleração da economia global, e contando com os efeitos defasados da política monetária, Margato, da XP, diz que a atividade deve pressionar menos a inflação no ano que vem, mas a incerteza é grande. "Vimos muitas surpresas altistas da atividade neste ano. Se a economia surpreender novamente, pode pressionar tanto a inflação quanto os salários", comenta.

    Estadão
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