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Com dívida colossal, Americanas (AMER3) deve optar pela recuperação judicial como caminho mais viável, diz XP

15 jan 2023 - 16h00
(atualizado às 19h31)
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Com dívida colossal, Americanas (AMER3) deve optar pela recuperação judicial como caminho mais viável, diz XP
Com dívida colossal, Americanas (AMER3) deve optar pela recuperação judicial como caminho mais viável, diz XP
Foto: Suno

A Americanas (AMER3) confirmou na sexta (13) que conseguiu na Justiça proteção contra credores que queiram antecipar o pagamento de dívidas, em torno de R$ 40 bi. Com o rombo de R$ 20 bi detectados esta semana e o tamanho de débitos com credores - a maioria deles, bancos -, a recuperação judicial está no radar da empresa. Em relatório, a XP diz que esse seria o caminho mais provável para a varejista.

O juiz Paulo Assed, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, concedeu uma tutela cautelar para suspender vencimentos antecipados e efeitos de inadimplência da Americanas. Analistas da XP lembram que a Tutela foi ajuizada "depois de um dos credores ter executado o vencimento antecipado de sua dívida, movimentando todos os outros credores a fazer o mesmo".

A XP entende que a companhia trabalhará em dois caminhos:

  • negociação de uma injeção de capital com os bancos, "que estimamos entre R$ 10-20 bilhões (ante o atual valor de mercado da Americanas, de R$ 2,8 bilhões);
  • A organização dos documentos necessários para solicitação de uma Recuperação Judicial, o que pode ser considerada a alternativa mais provável, dado o tamanho da dívida da Americanas e da potencial necessidade de capital, além do número de credores envolvidos."

A XP reforça que mantém a recomendação para as ações da Americanas "sob revisão". Na quarta os papéis estavam valendo R$ 12 e agora, depois de derreter 77,33% na quinta (12), um dia após a divulgação do rombo bilionário, desceram para R$ 3,15 na sexta (13), com a recuperação e mais leilões na Bolsa na sexta (13).

Processo longo e saída do Ibovespa?

E o que a provável recuperação judicial das Americanas representaria, na prática? A XP relacionou no relatório as consequências: "Aprendendo com os casos passados de Recuperação Judicial, trazemos quatro principais implicações para a Americanas caso a companhia decida solicitar RJ". Eis o tamanho do problema:

  • "É um processo longo, com duração média de 3 anos, mas excedendo esse prazo em muitos casos. A Oi (OIBR3) levou 6 anos e a Viver (VIVR3), 5 anos;
  • Saída do Ibovespa: de acordo com a metodologia da B3, as companhias em RJ não são elegíveis para entrar no IBOV, o que pode impactar negativamente a liquidez da companhia;
  • Muitas possíveis soluções: o rebalanceamento da estrutura de capital pode ser feito por meio do desinvestimento de ativos, renegociação de dívidas, conversões de dívidas em ações e aumento de capital, apesar de uma dissolução da companhia também ser possível;
  • Ações pressionadas e volatilidade: as ações tendem a sofrer durante processos de recuperação judicial, uma vez que as medidas são focadas nos credores e são geralmente diluitivas aos acionistas."

Um dos caminhos apontados pela XP para a Americanas tentar se recuperar é a venda de ativos. Pois parece que essa estratégia já está mesmo no foco da varejista. Neste domingo (15) o Valor Econômico informou em reportagem exclusiva que a companhia está planejando justamente se desfazer de dois em especial.

O primeiro é a Natural da Terra. A Americanas anunciou em agosto de 2021 a compra de 100% das ações da hortifruti. O valor da transação foi de R$ 2,1 bilhões.

Na época, a empresa, como lembrava a Americanas, "é referência digital do setor no país, com as vendas online representando 16% do total."

E acrescentava: "A HNT oferece conveniência, atendimento diferenciado e alta recorrência de compra, por meio da capilaridade, localização estratégica das lojas e integração digital."

O outro ativo que estaria nos planos da Americanas para venda, segundo a reportagem do Valor, é a participação na Vem Conveniência, parceria com a Vibra Energia (VBBR3) que "visa a exploração do negócio de lojas de pequeno varejo, dentro e fora de postos de combustível, com as redes de lojas locais e BR Mania." 

A Vem Conveniência tem uma estrutura de gestão e governança corporativa próprias. O capital social é detido pela Americanas e Vibra, ambas com participação de 50% cada. A parte da Americanas valeria ao menos R$ 1 bi.

Americanas: capitalização gera impasse sobre valores propostos por acionistas

Outra saída avaliada pela Americanas é, claro, a injeção de capital pelos acionistas da 3G Capital, que detêm 31% das ações.

Mas as conversas entre representantes da Americanas (AMER3) e dos bancos credores chegaram a um impasse após o trio de investidores Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, acionistas de referência da empresa, indicarem uma injeção de R$ 6 bilhões na empresa.

A medida foi anunciada na sexta-feira, 13, mesmo dia em que o juiz Paulo Assed, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, atendeu pedido da companhia e concedeu liminar para suspender a cobrança antecipada de débitos.

A cifra foi considerada insuficiente pelos bancos para sanar os problemas de caixa decorrentes da descoberta de "inconsistências" no valor de R$ 20 bilhões no balanço da varejista. A existência do rombo foi comunicada durante a semana por Sergio Rial, que estava no comando da Americanas havia menos de 15 dias. Os bancos avaliam que o trio precisaria colocar algo entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões para viabilizar uma capitalização que a varejista precisa fazer - e de forma urgente.

Criadores da gestora 3G Capital, Lemann, Telles e Sicupira estão por trás de outros grandes lances empresariais, como a Anheuser-Busch InBev, criada em 2004 a partir da fusão da belga Interbrew e da brasileira Ambev (ABEV3). O investimento na Americanas foi o primeiro fora do segmento financeiro feito pelo trio - que ficou na empresa por décadas, até sair do seu controle no fim de 2021.

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Com informações do Estadão Conteúdo

Suno
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