'Quanto mais problema tenho, mais leio': Roberta Martinelli indica livros de sua coleção
Apresentadora da Rádio Eldorado e da TV Cultura relembra obras que ajudaram no processo de luto pela perda do pai e revela leituras marcantes guardadas em suas estantes; assista ao novo episódio da série Coleção de Livros
Quando Roberta Martinelli perdeu o pai, em 2023, a literatura foi fundamental para processar o luto. "Ele era uma pessoa que não lia e começou a ler por minha causa. Eu até assinava clubes de leitura para o meu pai", diz a apresentadora da Rádio Eldorado e da TV Cultura. "Tem vários sentimentos da morte dele que eu não sei se são meus, ou se eu li esses sentimentos e tomei para mim."
Entre os livros lidos no difícil momento estão Aos Prantos no Mercado, de Michelle Zauner, e As pequenas chances, em que a autora, Natália Timerman, narra justamente a morte do pai. "Comecei a misturar essas histórias, mas foi bom pra mim. Porque a gente acha que só nós passamos por determinadas coisas, mas não. Todo mundo passa", diz ela. "A literatura tem esse lugar pra mim: quanto mais problema tenho, mais leio. Os livros são meus remédios."
Na mesma época, Roberta, consolidada na crítica e curadoria musical, deu um passo em direção ao jornalismo literário, com a criação do Clube do Livro Eldorado.
O programa de rádio que inicia sua sexta temporada nesta quinta, 23, traz sempre dois convidados para comentar obras literárias. Na lista dos novos episódios, livros como Coração sem Medo, de Itamar Vieira Júnior, e Vento vazio, de Marcela Dantés.
O clube cresceu e este ano ganhou também uma edição para assinantes, com encontros exclusivos. As vendas estão abertas pelo site www.clubedolivroeldorado.com.br. "A pessoa assina e recebe em casa os livros. E aí a gente começa a leitura em junho. São oito obras e dá tempo de ler tranquilamente, sem pressão", explica Roberta.
A Carne, lançamento mais recente da espanhola Rosa Montero, é um dos títulos do kit.
'Um Palhaço na Boca do Vulcão', de Nando Bolognesi
O Nando é um palhaço que tem esclerose múltipla e convive com ela há muito tempo. E ele conta aqui como foi a descoberta disso e como foi formando o palhaço que ele é. Ele fez até um solo a partir desse livro. É um livro muito bonito, muito honesto e que mexeu muito comigo."
'O Deserto dos Tártaros', de Dino Buzzati
"Eu li quando eu tinha 18 anos e foi a primeira vez que um livro me arrebatou. E eu falei e falo por muitos anos que é meu livro favorito, mas eu tenho medo de lê-lo de novo e perder esse frescor. Então eu deixo ele sempre ali. Talvez eu leia um dia, talvez não."
'A Empregada' (série de Freida McFadden)
"Para não ficar só 'cabeçuda', fica essa indicação. Eu me rendi, gente. Não sei quem já se rendeu a essa mulher, mas ela é viciante. Eu li quatro seguidos e, agora que eu entendi a fórmula, ela perde um pouco a graça. Você já começa a leitura sabendo um pouco para onde vai."
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