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Brasil perde O Supergeek, o mais icônico dos geeks do País

Miranda não era um geek comum: ele era um ícone da cultura pop brasileira. Ele se foi antes do combinado. Mas deixou um legado absurdo.

23 mar 2018
15h18
atualizado às 15h39
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O dia 22 de março de 2018 fica marcado pela perda d’O Supergeek, o mais icônico geek brasileiro, em todos os sentidos possíveis desta “expressão”. Aos 56 anos, Carlos Eduardo Miranda sofreu um mal súbito enquanto estava em casa, com a família.

Miranda é referência primordial no universo geek brasileiro por conta de sua paixão, seu trabalho e seu conhecimento profundo de música pop, videogames, quadrinhos, filmes e seriados. O cara que era bom em todas essas áreas ao mesmo tempo não é um geek comum, é O Supergeek.

Miranda foi até personagem de X-Men...
Miranda foi até personagem de X-Men...
Foto: Reprodução

Nos últimos anos, era mais conhecido por ser jurado de programas de TV como Ídolos (2006 a 2007), Qual é o Seu talento (2009 a 2012), Astros (2008 a 2009 e 2012) e Esse Artista Sou Eu (2014). Mas essa foi só a pontinha do iceberg da carreira do cara que produziu grupos como Raimundos, Skank, O Rappa, Virgulóides, Blues Etílicos, Cansei de Ser Sexy, Móveis Coloniais de Acaju, MQN, Mundo Livre SA e tantos outros.

Como jornalista, escreveu sobre música na revista Bizz e sobre games na revista Ação Games. E não tem nenhum profissional de comunicação ligado ao mundo da música, dos games ou dos quadrinhos que não tenha topado com o simpaticíssimo e desencanadíssimo Miranda pelo menos uma vez. Eu topei muitas.

Garimpo do Miranda: que colecionador!
Garimpo do Miranda: que colecionador!
Foto: Reprodução / Herói

Particularmente, conheci Miranda no fim de 1991, quando ele produziu o primeiro álbum da banda feminina de heavy metal Volkana. Na época eu era editor da revista Rock Brigade e, por conta das afinidades geeks, nas décadas seguintes encontrei com Miranda dezenas de vezes em eventos de música, festivais de rock, premiações de games e feiras de quadrinhos. Mas foi um evento particular que me fará lembrar eternamente de Miranda por sua sagacidade: o melhor disco de rock brasileiro da primeira metade dos anos 1990s.

Era começo de 1994, Miranda me chamou para encontrá-lo em um estúdio em Pinheiros, bairro da zona oeste paulistana, para ouvir a fase final de mixagem de uma banda nova de Brasília, chamada Raimundos. Eu já conhecia a banda quando fui vê-la como Ramones Cover, em um show em Brasília, quando eles se apresentavam usando bateria eletrônica.

Miranda não parava de rir a cada reação de espanto minha com a gravação e com as dezenas de vezes que repeti a frase “Essa vai ser a maior banda de rock do Brasil!” Ele se limitava a dizer: “Vai sim, velhinho!” E assim o papo sobre rock’n’roll durou uma tarde inteira. E O Supergeek estava certo sobre a banda.

Confira o Miranda em ação em um dos nossos muitos projetos geeks:

No universo dos games, Miranda foi apresentador do Troféu Gameworld 2011, organizado pela editora de revistas como Nintendo World e EGW, da qual fui editor por oito anos. Sempre divertidíssimo, sempre apaixonado pelo universo geek.

O Supergeek se foi, mas sua risada estilo “Ô velhinho!” continua ecoando no coração dos amigos e dos geeks do país.

Vai em paz, velhinho!

Geek

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