Entenda por que o lucro da Uber despencou 96%
Lucro da Uber despenca 96% no 4º tri de 2025; receita desacelera, mercado reage e empresa aposta em nova estratégia global
A Uber divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025 sob forte pressão do mercado. A empresa registrou lucro muito menor que no ano anterior, apesar do avanço na receita. Investidores acompanharam de perto cada indicador, devido às mudanças recentes na gestão e no ambiente competitivo global.
O desempenho financeiro encerrou uma sequência de trimestres de expansão acelerada. Embora a companhia tenha ampliado a base de viagens e entregas, a margem encolheu de forma significativa. Assim, o balanço se transformou em um retrato de desafios operacionais, custos crescentes e reações imediatas na bolsa.
Resultados da Uber no 4º trimestre de 2025
No período, a receita da Uber somou cerca de US$ 10,8 bilhões, ante aproximadamente US$ 9,3 bilhões em igual trimestre de 2024. O avanço veio principalmente do segmento de mobilidade, com maior número de corridas em mercados maduros. Além disso, o braço de entregas manteve ritmo firme, puxado por pedidos recorrentes em grandes cidades.
O lucro líquido, porém, encolheu de forma expressiva. A empresa reportou aproximadamente US$ 80 milhões de lucro, frente a cerca de US$ 2 bilhões um ano antes. Assim, o resultado representou queda de cerca de 96% na última linha. Esse número chamou atenção de analistas, que esperavam recuo, mas não nesse patamar.
Em termos ajustados, o EBITDA ainda permaneceu positivo, porém com menor folga. A empresa registrou crescimento de custos em quase todas as frentes. Despesas com incentivos a motoristas, investimentos em tecnologia e compliance regulatório pesaram no balanço.
Por que o lucro da Uber caiu 96%?
Vários fatores explicam a redução tão expressiva do lucro da Uber no trimestre. Em primeiro lugar, custos operacionais subiram em ritmo superior ao da receita. A empresa elevou incentivos e bônus para motoristas, a fim de reduzir cancelamentos e tempos de espera. Essa estratégia ajudou a manter a demanda, contudo pressionou margens.
Em segundo lugar, a companhia intensificou gastos com segurança e regulação. Novas exigências em mercados da Europa e da América Latina ampliaram despesas jurídicas e de adequação. Além disso, autoridades locais reforçaram fiscalizações sobre direitos trabalhistas e tributação, o que trouxe obrigações adicionais.
A Uber também ampliou investimentos em tecnologia. A empresa desenvolve algoritmos de roteamento, sistemas antifraude e soluções para publicidade dentro do aplicativo. Esses projetos exigem equipes maiores e infraestrutura de nuvem mais robusta. Como resultado, as despesas de pesquisa e desenvolvimento cresceram com força.
Outro ponto relevante envolveu efeitos contábeis e não recorrentes. Reavaliações de participações em empresas investidas reduziram ganhos financeiros registrados em períodos anteriores. Em 2024, a companhia se beneficiou de valorização de ativos e créditos fiscais. Em 2025, esse suporte diminuiu de forma acentuada.
Como o mercado reagiu aos números da Uber?
O mercado reagiu de forma imediata à divulgação do balanço do quarto trimestre. As ações da Uber recuaram no pregão seguinte, com forte volume negociado. Parte dos investidores realizou lucros após a forte valorização acumulada em 2024. Outra parcela revisou projeções, diante da compressão de margens.
Analistas destacaram um ponto adicional: a troca do diretor financeiro. A empresa anunciou a saída do CFO anterior poucos dias antes da apresentação dos resultados. Em seu lugar, assumiu uma executiva com histórico em empresas de tecnologia e pagamentos digitais. O movimento gerou questionamentos sobre a estratégia de capital e o ritmo de investimentos.
Alguns bancos revisaram relatórios e ajustaram recomendações. Em geral, mantiveram foco nos fundamentos de longo prazo, porém reduziram estimativas de lucro para 2026. Paralelamente, casas de análise passaram a monitorar com mais atenção o fluxo de caixa livre da companhia. A preocupação se concentrou na capacidade de financiar projetos sem elevar demais o endividamento.
- Queda de 96% no lucro trimestral.
- Crescimento de custos com motoristas e regulação.
- Troca do diretor financeiro em momento sensível.
- Reação imediata das ações no mercado.
Quais as perspectivas futuras para a Uber após o trimestre?
Apesar da forte compressão no lucro, o cenário para a Uber ainda inclui frentes de expansão. A empresa segue com planos de ampliar serviços de mobilidade em cidades médias e regiões suburbanas. Além disso, pretende fortalecer o segmento de entregas de mercado e farmácia, que registra recorrência elevada.
A nova diretoria financeira sinalizou foco maior em disciplina de custos. A gestão promete rever contratos de fornecedores, otimizar gastos com marketing e priorizar projetos com retorno mais previsível. Essa abordagem busca recuperar margens sem reduzir a qualidade do serviço.
Ao mesmo tempo, a Uber avalia oportunidades em novas linhas de receita. Iniciativas em publicidade dentro do aplicativo, programas de fidelidade e parcerias com empresas de varejo podem ganhar força. Tais iniciativas tendem a exigir menos capital intensivo, o que agrada investidores preocupados com rentabilidade.
- Reforçar controle de custos operacionais.
- Focar serviços com maior margem, como publicidade.
- Expandir entregas em mercados com grande densidade urbana.
- Fortalecer governança após a troca do CFO.
No curto prazo, a performance da Uber dependerá da execução desse plano e do ambiente regulatório. Caso a empresa consiga equilibrar crescimento e rentabilidade, o mercado tende a ajustar as expectativas de forma gradual. Assim, o quarto trimestre de 2025 se torna um ponto de inflexão para a estratégia da companhia no segmento global de mobilidade e entregas.