Presidente decide encarregar Eisenkot de formar governo em Israel

General de centro foi convocado para reunião com Herzog na tarde de domingo (8)

7 nov 2026 - 17h19
(atualizado às 18h08)
Resumo
O presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregou o general Gadi Eisenkot, líder do partido de centro Yashar, de formar o novo governo. Após as eleições não darem maioria clara ao Parlamento, Eisenkot reuniu 67 apoios graças à aliança de seu bloco com partidos árabes, superando os 46 votos de Benjamin Netanyahu. O atual premiê defendeu uma união nacional sem legendas árabes, mas Eisenkot exige o rompimento com a extrema direita para substituir o líder mais longevo do país.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, comunicou o líder do partido de centro Yashar, Gadi Eisenkot, que vai encarregá-lo de formar um novo governo.

Gadi Eisenkot deve se tornar o próximo premiê de Israel
Gadi Eisenkot deve se tornar o próximo premiê de Israel
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A decisão foi tomada neste sábado (7), na esteira das eleições de 27 de outubro, que não produziram uma maioria clara no Parlamento. Herzog convocou Eisenkot para a sede da Presidência, em Jerusalém, às 17h (horário local) deste domingo (8), quando formalizará o encargo ao general.

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"O presidente informou o líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, de sua intenção de encarregá-lo da formação de um governo", afirmou o gabinete de Herzog em um comunicado.

O "bloco da mudança", liderado por Eisenkot, obteve 48 dos 120 assentos no Knesset, o Parlamento israelense, nas eleições, menos do que o mínimo de 61 necessário para garantir maioria. No entanto, durante as consultas com Herzog, os partidos árabes, que alcançaram o melhor resultado de sua história e conquistaram 19 cadeiras, manifestaram apoio ao general, que passou a contar com o aval de 67 parlamentares eleitos.

O premiê Benjamin Netanyahu, por sua vez, recebeu o apoio de 46 membros do Knesset, enquanto uma aliança ultraortodoxa que participa do atual governo e elegeu sete deputados, a Judaísmo Unido da Torá (UTJ), se absteve.

Em vídeo divulgado neste sábado, Netanyahu instou o "bloco da mudança" a formar um "governo de união nacional" que exclua os partidos árabes, definidos pelo primeiro-ministro como "apoiadores do terrorismo".

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"Um governo dependente de islamitas desmantelaria o Estado de Israel por dentro, tal como vem ocorrendo em países europeus, e de uma forma muito pior", afirmou.

No entanto, de acordo com o premiê, esse gabinete de união nacional teria de incluir todas as atuais forças da situação, incluindo partidos ultraortodoxos e ultranacionalistas religiosos criticados por Eisenkot. Netanyahu não sugeriu quem lideraria esse governo.

Pouco depois, o Yashar publicou uma mensagem no X cobrando que o Likud, legenda de direita liderada pelo premiê, "anuncie publicamente a dissolução de sua coalizão com extremistas" e expresse a "disposição de integrar um governo" encabeçado pelo general.

Contra o Estado palestino

Se conseguir formar um governo, Eisenkot substituirá o premiê mais longevo da história de Israel, que realizou suas primeiras eleições desde os atentados terroristas do Hamas de 7 de outubro de 2023.

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O general de 66 anos foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas entre 2015 e 2019 e é tido como um homem sério e reservado. Ao longo da campanha, prometeu unir os israelenses após as gestões divisivas encabeçadas por Netanyahu, que é alvo de diversos processos na Justiça.

Eisenkot falou em punir colonos extremistas que atacarem palestinos na Cisjordânia ocupada, episódios que ele definiu como um "terror judaico" alimentado por Netanyahu, porém se opõe à criação de um Estado palestino e garantiu que vai "destruir" a ala militar do Hamas. O general perdeu um filho, Gal, e dois sobrinhos em combate na Faixa de Gaza.

Ele pode se tornar o primeiro premiê israelense de origem sefardita, ou seja, judeus cujas raízes recentes remontam ao Oriente Médio e ao Norte da África. Diferentemente de Netanyahu, que é proveniente de uma família da elite, Eisenkot é filho de judeus marroquinos e cresceu na periferia de Israel.

Durante a campanha, ele também prometeu proteger os direitos das minorias, a independência do poder Judiciário, o Estado de Direito e a liberdade de imprensa.

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