Rami el-Meghari e Frédérique Misslin, correspondentes da RFI em Gaza e Jerusalém, e AFP
Nesta sexta-feira (15), aproveitando o 78º aniversário da data, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que o povo palestino não pode ser "ignorado" e que ninguém além da população tem o direito de determinar seu futuro.
"Comemorar este aniversário é reconhecer uma injustiça histórica contra o povo palestino, que permanece enraizado em sua terra, e representa um passo na direção certa para reparar essa injustiça", disse Abbas em um discurso lido pelo embaixador palestino nas Nações Unidas, Riyad Mansour.
Desde 2023, por meio de uma resolução da Assembleia Geral, a ONU comemora oficialmente o aniversário da Nakba ("a catástrofe", em árabe), período durante o qual milhares de árabes palestinos fugiram ou foram expulsos de suas casas durante a criação do Estado de Israel.
"Isso afirma que nosso povo vibrante não pode ser ignorado, nem seu direito à autodeterminação, independência, retorno e soberania, como o de todas as nações", acrescentou Mahmoud Abbas. Ele também lamentou que o cessar-fogo em Gaza "permaneça frágil".
"Nossos compatriotas estão sendo mortos, a geografia de Gaza está diminuindo e a entrega de ajuda (humanitária) continua sendo dificultada, em clara violação por Israel da visão do presidente Trump", insistiu ele, referindo-se ao cessar-fogo que entrou em vigor em outubro sob pressão dos Estados Unidos.
"Tenho esperança de voltar à Palestina"
Na Faixa de Gaza em ruínas, algumas poucas testemunhas desse período ainda podem relatar o que aconteceu.
"Ainda tenho esperança de voltar à Palestina, mesmo que seja por pouco tempo", confidencia à RFI Nassera, uma das sobreviventes da Nakba.
Aos 88 anos, ela se locomove com um andador. Testemunhas desse período, como ela, são raras. Morando com sua família em Gaza desde 1948, Nassera agora vive em Nuseirat, um campo de refugiados localizado no centro do enclave, perto de Deir al-Balah.
Sua voz trêmula se anima quando ela evoca memórias de sua aldeia, Karatya. Hoje, a vila não existe mais como era antes; é uma cidade israelense localizada a cerca de 30 quilômetros ao norte de Gaza.
Quando teve que deixar sua aldeia em 1948, na criação do Estado de Israel, seu pai "possuía uma grande extensão de terras agrícolas", conta ela. "Naquela época, ele contratava pessoas para cultivar a terra, pagando-as com uma parte da colheita de trigo e cevada. Minha mãe cuidava da casa", lembra Nassera.
Sua aldeia foi posteriormente destruída pelas tropas israelenses, e o êxodo se seguiu. No total, 750 mil palestinos foram expulsos de suas terras ou fugiram durante a guerra árabe-israelense. Nassera, no entanto, ainda possui o status de refugiada.