Israel realiza 'maior ataque coordenado' no Líbano, deixando dezenas de mortos e centenas de feridos

O Exército israelense afirmou ter realizado o "maior ataque coordenado" contra o movimento pró‑iraniano Hezbollah nesta quarta-feira (8). Os bombardeios, que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo o Minitério da Saúde do Líbano, ocorreram apesar do cessar-fogo no Oriente Médio anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, na véspera.

8 abr 2026 - 12h59

Prédios em chamas, carros carbonizados, imensas colunas de fumaça: em questão de minutos, Beirute e sua periferia foram transformadas em um cenário de desolação nesta tarde. Jornalistas descrevem cenas de pânico nas ruas da capital, onde bombardeios israelenses ocorreram sem aviso prévio. No trânsito, motoristas buzinavam para abrir caminho e pedestres tentavam escapar correndo.

"Eu presenciei um ataque, foi muito forte. Vi crianças morrendo e outras com os membros sendo arrancados", declarou à AFP Yasser Abdallah, que trabalha em uma loja de eletrodomésticos em Sodeco, em Beirute.

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Um dos bombardeios teve como alvo um prédio na Corniche Mazraa, uma das principais vias da capital, rapidamente invadida por ambulâncias. Moradores contam ter ouvido uma sequência de explosões e terem se deparado no meio de uma nuvem preta. 

"Vi um avião se aproximar, as pessoas começaram a correr em todas as direções e, de repente, a fumaça tomou conta de tudo", disse o libanês Ali Younes. 

Incêndios e resgate de vítimas

Horas após os ataques, bombeiros continuavam combatendo as chamas nos escombros, enquanto equipes de resgate trabalham para retirar vítimas dos destroços. Os ataques ocorreram por volta das 14h pelo horário local, em um momento de forte movimentação na capital, onde milhares de pessoas deslocadas do sul do país vieram se abrigar.

No início da noite, centenas de pessoas se aglomeravam em frente às unidades de emergência do Hospital da Universidade Americana de Beirute, um dos maiores da capital. Fontes médicas disseram à AFP que o estabelecimento está superlotado e precisando de doação de todos os grupos sanguíneos. 

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"Minha sogra morreu, a esposa do meu cunhado também, assim como o filho dele", diz um homem que não quis se identificar. "Estamos aguardando notícias de outros membros da minha família", acrescentou, em lágrimas.

Ataque "surpresa"

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o exército realizou um ataque surpresa contra centenas de membros do Hezbollah em todo o Líbano. "Este é o maior golpe sofrido pelo Hezbollah desde a Operação Pagers", disse Katz em um vídeo, referindo-se a um grande ataque contra o movimento islamista libanês em 2024. Na ocaisão, dispositivos explosivos implantados nesses aparelhos de comunicação explodiram.

As forças israelenses descrevem os ataques desta quarta-feira como o maior desde o início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro. "Em um intervalo de 10 minutos e simultaneamente em várias zonas, uma centena de postos de comando e infraestruturas militares" do movimento libanês foram bombardeados em todo o país, indicou um comunicado. 

Além da capital, Israel ainda visou subúrbios do sul de Beirute, que considera um reduto do Hezbollah, após uma advertência do exército israelense para a população esvaziar esses setores. Outras áreas no sul e leste do Líbano também foram atacadas.

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Cessar-fogo "não inclui" o Líbano

Na madrugada, Israel expressou seu apoio ao acordo de cessar-fogo de duas semanas alcançado entre Washington e Teerã, mas especificou que o compromisso "não inclui o Líbano". A informação foi rejeitada pelo Paquistão, mediador-chave que garantiu que a trégua vale para "todos os países" envolvidos no conflito.

O grupo Hezbollah não comentou o anúncio de cessar-fogo feito por Trump a poucas horas do vencimento de seu ultimato. O movimento também não reivindicou nenhum ataque desde a 1h da manhã desta quarta-feira pelo horário local (7h de terça-feira em Brasília).

O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou os bombardeios israelenses de "bárbaros". "Israel persiste mais uma vez em sua agressão, cometendo outro massacre que se soma ao seu sombrio histórico, em flagrante desafio a todos os valores humanos e pisoteando todos os princípios dos direitos humanos", afirmou em comunicado divulgado pela Agência Nacional de Informação. 

O Ministério da Saúde do Líbano denunciou uma escalada "perigosa" no país. Já o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, fez um apelo para que "todos os amigos do Líbano ajudem a deter esses ataques por todos os meios". 

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, denunciou "violações do cessar-fogo" por parte de Israel em uma conversa por telefone com o comandante das Forças Armadas do Paquistão, o marechal Asim Munir. Segundo nota, os dois discutiram a importância de colocar em prática o compromisso para "reforçar a paz e a segurança em toda a região".

RFI com AFP

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