Itália protesta contra Israel após ataque a veículo da ONU no Líbano

Blindado foi atingido por tiros de advertência no sul do país árabe

8 abr 2026 - 12h31
(atualizado às 13h15)

O governo da Itália protestou contra Israel após um veículo militar que integra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) ter sido atingido por "tiros de advertência" no sul do país árabe.

Veículo da Unifil no sul do Líbano, em foto de arquivo
Veículo da Unifil no sul do Líbano, em foto de arquivo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Trata-se de um blindado Lince que estava em uma coluna com diversos outros meios da Unifil, missão da ONU na qual a Itália detém um dos maiores contingentes, e os disparos acertaram os pneus e o para-choque do veículo.

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"Uma coluna italiana da Unifil que levava elementos a Beirute para repatriação foi bloqueada pelas IDF [Forças de Defesa de Israel]. Os tiros de advertência israelenses danificaram um veículo nosso. Por sorte, ninguém ficou ferido, mas a coluna teve de retornar", declarou o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que ordenou a convocação do embaixador israelense em Roma para prestar esclarecimentos.

"Ninguém pode tocar nos militares italianos", acrescentou o chanceler no X. Já o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, expressou "indignação" pelo ocorrido e pediu que a ONU intervenha junto às autoridades de Israel para "garantir a segurança de todo o pessoal da Unifil".

"A Itália continuará a apoiar a missão de paz, mas exige pleno respeito pelo papel da Unifil e a proteção dos próprios militares. Episódios como este são intoleráveis e não devem se repetir", salientou Crosetto.

Segundo o ministro, é 'inaceitável que militares italianos sob bandeira das Nações Unidas sejam expostos a situações de risco por parte do exército israelense". "Trata-se de um comportamento grave que põe em risco a segurança dos soldados de manutenção da paz e a credibilidade da própria missão", disse.

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O ataque à Unifil ocorreu em meio à maior ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah desde que o Líbano foi arrastado para a guerra contra o Irã, em 2 de março. Segundo as IDF, foram bombardeados 100 alvos em cerca de 20 minutos, englobando Beirute, o Vale do Beqaa e o sul do país árabe. 

A operação envolveu 60 caças, que lançaram cerca de 160 bombas no Líbano, e foi batizada como "Obscuridade Eterna". Em Beirute, o bombardeio atingiu áreas densamente povoadas, provocando pânico entre os moradores.

Testemunhas falaram em "cenas apocalípticas", enquanto fontes médicas mencionaram a presença de diversos cadáveres nas ruas. Segundo a Cruz Vermelha libanesa, o número de mortos e feridos no ataque chega a 300 apenas na capital.

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