Polônia: novo presidente nacionalista promete reforma constitucional e limite à influência da UE

O novo presidente da Polônia, Karol Nawrocki, de 42 anos, tomou posse nesta quarta-feira (6). O conservador foi eleito em maio com o apoio do partido nacionalista Lei e Justiça (PiS). Sua investidura marca o início de uma aguardada — e potencialmente difícil — coabitação com o governo pró-europeu liderado pelo primeiro-ministro centrista Donald Tusk. As primeiras declarações de Nawrocki já sinalizam um confronto direto, com a promessa de uma reforma constitucional voltada a reforçar a soberania nacional e limitar a influência da União Europeia (UE). As relações da Polônia com a vizinha Ucrânia também voltam ao centro das discussões.

6 ago 2025 - 13h18
(atualizado às 13h33)

O novo presidente da Polônia, Karol Nawrocki, de 42 anos, tomou posse nesta quarta-feira (6). O conservador foi eleito em maio com o apoio do partido nacionalista Lei e Justiça (PiS). Sua investidura marca o início de uma aguardada — e potencialmente difícil — coabitação com o governo pró-europeu liderado pelo primeiro-ministro centrista Donald Tusk. As primeiras declarações de Nawrocki já sinalizam um confronto direto, com a promessa de uma reforma constitucional voltada a reforçar a soberania nacional e limitar a influência da União Europeia (UE). As relações da Polônia com a vizinha Ucrânia também voltam ao centro das discussões.

O recém-empossado presidente polonês, Karol Nawrocki, discursa no parlamento em Varsóvia, em 6 de agosto de 2025.
O recém-empossado presidente polonês, Karol Nawrocki, discursa no parlamento em Varsóvia, em 6 de agosto de 2025.
Foto: © Kacper Pempel / Reuters / RFI

A proposta de reforma constitucional anunciada por Nawrocki ainda carece de detalhes, mas já provoca inquietação entre os partidos da oposição e instituições europeias. O presidente defende uma revisão que limite as competências da União Europeia sobre assuntos internos poloneses, especialmente em áreas como justiça, educação e segurança. "Serei a voz daqueles que querem uma Polônia soberana, que está na União Europeia, mas que é e permanecerá a Polônia", declarou em seu discurso de posse.

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Essa postura confronta diretamente o governo de Donald Tusk, que busca reaproximar Varsóvia de Bruxelas após anos de tensão durante os mandatos anteriores do PiS. Tusk acusa Nawrocki e seus aliados de tentarem minar a Constituição vigente e de promoverem uma agenda que ameaça o Estado de direito. A coabitação entre os dois líderes, marcada por visões opostas sobre o papel da Polônia na Europa, promete ser turbulenta.

Relações com Ucrânia

No plano internacional, Nawrocki sinalizou que manterá o apoio à Ucrânia, especialmente no fornecimento de armas e ajuda humanitária. No entanto, também indicou que pretende impor condições à relação bilateral, criticando Kiev por não demonstrar suficiente reconhecimento à ajuda polonesa. Durante a campanha, o presidente se mostrou contrário à adesão da Ucrânia à OTAN e à União Europeia, o que pode gerar atritos diplomáticos nos próximos meses.

Apesar das divergências, Nawrocki conversou por telefone com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, garantindo que a Polônia continuará sendo uma "plataforma estratégica" para o apoio ocidental à Ucrânia. A forma como essa promessa será cumprida, em meio a uma liderança dividida e a uma nova orientação política, será um dos principais testes do novo mandato presidencial.

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