O Irã enfrenta uma nova onda de protestos internos, intensifica prisões de manifestantes e ameaça retaliar EUA e Israel diante da possibilidade de intervenções estrangeiras.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou repetidamente Teerã nos últimos dias e disse que ajudaria os manifestantes em caso de repressão ao movimento de protesto. "O Irã quer liberdade" e "os Estados Unidos estão prontos para ajudá-lo", escreveu ele neste sábado, 10, em sua rede social Truth.
A possibilidade de uma intervenção americana foi discutida durante uma ligação telefônica entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, segundo uma fonte israelense que participou da conversa. Israel se colocou em "alerta máximo" diante dessa possibilidade de ataques americanos, indicaram três fontes israelenses.
Até o momento, Israel não expressou publicamente nenhuma intenção de intervir. Em entrevista publicada na sexta-feira pela revista The Economist, Benjamin Netanyahu afirmou que um ataque iraniano contra seu país teria consequências terríveis. Sobre os protestos, acrescentou: "Quanto ao resto, acho que precisamos observar o que está acontecendo dentro do Irã".
EUA e Israel seria 'alvos legítimos'
Neste domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou que "em caso de ataque contra o Irã, os territórios ocupados [Israel] e as bases e navios americanos serão nossos alvos legítimos", advertindo os Estados Unidos contra qualquer "erro de cálculo".
As três fontes israelenses não especificaram o que o "alerta máximo" em Israel implicava, e nenhum comentário oficial pôde ser obtido do governo ou do exército. Israel e Irã entraram em confronto por 12 dias em junho passado, e os Estados Unidos intervieram ao lado de Israel bombardeando instalações nucleares iranianas.
O Irã retaliou disparando mísseis contra a base americana de Al Udeid, no Catar, sem causar vítimas e após ter alertado Washington sobre os iminentes ataques.
A República Islâmica enfrenta atualmente a maior onda de protestos desde o movimento "Mulheres, Vida, Liberdade" de 2022-2023, desencadeado pela morte sob custódia da estudante Mahsa Amini, após sua prisão pela polícia da moralidade por usar um véu considerado inapropriado.
Os protestos, iniciados em 28 de dezembro por comerciantes do bazar de Teerã contra a inflação galopante e o colapso do rial, ganharam contornos políticos e se espalharam por diversas cidades do interior. Teerã acusa os Estados Unidos e Israel de fomentarem a revolta.
A polícia iraniana anunciou no domingo a prisão de figuras-chave do movimento. "Foram efetuadas prisões significativas" na noite de sábado "contra os principais envolvidos nos distúrbios, que, se Deus quiser, serão punidos após a conclusão dos processos judiciais", declarou o chefe da Polícia Nacional, Ahmad Reza Radan, à televisão estatal, sem fornecer detalhes sobre o número ou a identidade dos detidos.
Mais de 100 mortes
As informações vindas da República Islâmica permanecem fragmentadas devido ao amplo bloqueio da internet imposto pelas autoridades, mas imagens do país continuam a surgir nas redes sociais. A organização de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, relatou 116 mortes até o momento, incluindo 37 membros das forças de segurança.
A televisão estatal iraniana transmitiu os funerais de alguns deles em cidades do oeste, como Gachsaran e Yasuj. Um vídeo publicado nas redes sociais no sábado, cuja localização a Reuters não conseguiu verificar, mostrou grandes multidões reunidas ao anoitecer no distrito de Punak, em Teerã, batendo ritmicamente em uma ponte e em vários objetos de metal em protesto.
Um alto funcionário da inteligência dos EUA descreveu a situação no Irã no sábado como um "jogo de resistência" entre a oposição, que tenta manter a pressão na esperança da deserção de figuras-chave do regime, e as autoridades, que buscam semear o medo nas ruas sem dar aos Estados Unidos um pretexto para intervir.
Com informações da Reuters