Após o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos em dezembro a petroleiros sob sanções que entram ou saem das águas da Venezuela, o petróleo mexicano se torna essencial para o abastecimento de Cuba. Nesta quarta-feira, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum declarou que o México se tornou um "fornecedor importante" para a ilha, mas não estava enviando "mais petróleo do que antes".
Sheinbaum afirmou que os envios de petróleo bruto para Cuba acontecem há "muitos anos" e por "motivos variados", e incluem contratos de exportação ou "ajuda humanitária". A chefe de Estado mexicana pediu à estatal petrolífera Pemex que lhe fornecesse dados detalhados sobre essas operações.
O governo mexicano, porém, normalmente não divulga os contratos de fornecimento de petróleo a Cuba e a forma de remuneração dessas transações. Em 2025, as entregas de petróleo mexicano a Cuba teriam superado as da Venezuela, segundo dados da indústria publicados pelo jornal britânico Financial Times.
Já a Venezuela enviou, entre janeiro e novembro do ano passado, em média 27 mil barris por dia para Cuba, cobrindo cerca de 50% do déficit petrolífero da ilha, segundo dados de transporte e documentos da estatal venezuelana PDVSA.
Rússia acusa EUA de 'alimentar tensões'
A Rússia acusou nesta quinta-feira (8) os Estados Unidos de alimentarem "tensões militares e políticas" após a apreensão dos petroleiros na quarta, um deles ligado a Moscou.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que é "lamentável e preocupante" que Washington esteja disposto a provocar graves crises internacionais. O governo russo também criticou o que classificou como ações "perigosas e irresponsáveis" dos Estados Unidos e denunciou a participação do Reino Unido na apreensão do navio.
Moscou afirma que a embarcação se chama Marinera e que recebeu, em 24 de dezembro, uma autorização provisória para navegar sob bandeira russa. Washington, porém, alega que o navio se chama Bella 1, que está sem bandeira depois de ter navegado com um registro falso. Ele integra a "frota fantasma" venezuelana usada para transportar petróleo sujeito a sanções dos EUA.
Preocupação em Cuba
"As repercussões não serão muito boas. A Venezuela foi um dos países que mais nos ajudou em energia e combustível", diz Mario Valverde, empresário em Havana. No porto de Matanzas, a menos de cem quilômetros da capital e onde atracam os petroleiros, muitos postos de gasolina estão fechados, indicando que a escassez de combustível já é uma realidade na ilha. Os cortes de eletricidade também se tornaram frequentes e duram várias horas.
"Agora, acho que, com essa situação, tudo vai piorar, porque não deixam mais o petróleo entrar no país", diz William Gonzalez, estudante morador de Matanzas. "Antes, o petróleo vinha da Venezuela e da Rússia; agora só virá da Rússia. É uma fonte a menos de petróleo, e o país vai ficar um pouco pior", lamenta.
Com agências