Na Casa Branca, Merz deve apresentar um apoio cético à operação no Irã

O chanceler alemão Friedrich Merz está em Washington nesta terça-feira (3) para sua segunda visita à Casa Branca desde que assumiu o cargo, há 10 meses. Quando a visita foi agendada, esperava-se que a guerra comercial e as tarifas impostas pelos Estados Unidos à Europa seriam o tema principal. Mas o ataque americano e israelense ao Irã no fim de semana deve se tornar o assunto dominante no encontro da manhã de hoje no Salão Oval, com a Alemanha manifestando um apoio reticente à operação militar no Oriente Médio.

3 mar 2026 - 08h30

Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha

Pelo menos diante das câmeras, Friedrich Merz deve adotar a mesma postura que teve em seu pronunciamento no domingo, em Berlim. Merz não manifestou apoio explícito, mas disse que "não é hora de criticar nossos aliados, mas sim de permanecermos unidos". O chanceler disse que o regime dos aiatolás é um regime terrorista responsável por décadas de opressão ao povo iraniano, relembrou o apoio sistemático do Irã à invasão russa à Ucrânia, e disse que o governo alemão, portanto, compartilha do "alívio de muitos iranianos com o fim iminente do regime de aiatolás".

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Mas o que Merz deve discutir com Trump nos bastidores são as suas preocupações sobre o futuro do conflito. O alemão diz "não saber se o plano de promover mudanças políticas internas por meio de ataques militares terá sucesso". Segundo ele, "comparações com o Afeganistão, o Iraque e a Líbia são apenas parcialmente relevantes, mas ilustram a real dimensão dos riscos a médio prazo". E concluiu: "Nós, na Europa e na Alemanha, também teríamos que arcar com as consequências."

Alemanha rejeita participar do conflito

Depois desta fala ambígua de Merz no domingo, ficou no ar a impressão de que havia possibilidade real de a Alemanha se envolver diretamente na guerra. Mas na tarde de segunda-feira (2), o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, achou por bem combater qualquer rumor, deixando claro que a Alemanha não se envolverá diretamente.

O governo alemão acredita, no entanto, que o mundo vive "um momento em que o direito internacional tem pouco efeito", lembrando que antes dos Estados Unidos e de Israel ignorarem estas regras, o próprio Irã violou por décadas o direito internacional, segundo as palavras do chanceler Merz.

Imitação de Trump

Até o fim da semana passada, Merz vinha se preparando para um embate encarniçado no Salão Oval, e anunciou a quem quisesse ouvir que traria respostas duras a Trump na guerra comercial e tarifária. O chanceler alemão foi encarregado pelos países do bloco europeu de levar uma proposta conjunta de todos em relação às altas tarifas, que vêm onerando as exportações europeias para os Estados Unidos, mesmo depois da decisão da Suprema Corte americana vetando parte dos impostos.

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Em um discurso na semana passada, Merz chegou a zombar de Trump e arrancou risadas do público ao fazer uma inesperada imitação do presidente americano, relatando que Trump teria ficado impressionado com a queda de 60% na concessão de asilo a imigrantes na Alemanha.

Mas todo esse clima belicoso entre Merz e Trump arrefeceu com o novo contexto no Oriente Médio. Inclusive, desta vez, a Alemanha pelo menos foi informada do ataque militar ao Irã antes de ele ocorrer, ao contrário de junho do ano passado, quando o lado alemão só foi notificado após os ataques dos Estados Unidos e Israel às instalações nucleares iranianas.

Merz "sem esperanças" sobre a Rússia

Friedrich Merz deve reivindicar mais uma vez a participação da Alemanha e da União Europeia nas negociações por um cessar-fogo entre as duas partes e que tem sido feitas de forma isolada pelos Estados Unidos. Mas a verdade é que o governo alemão alimenta poucas esperanças não só de obter participação na negociação quase pessoal entre Trump e Putin, mas também de qualquer desfecho positivo para o conflito.

Merz foi enfático em uma fala desta semana: qualquer diplomacia adicional com a Rússia é, neste momento, inútil, já que Putin teria dado sinais reiterados de desinteresse em qualquer cessar-fogo.

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