Por que os EUA e Israel atacaram o Irã? Entenda a motivação de Trump

Após semanas de negociações tensas, ataques resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei

2 mar 2026 - 04h57
Ataque do Irã deixa ao menos nove mortos nos arredores de Jerusalém
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Após semanas de tensas negociações, Estados Unidos e Israel realizaram no último sábado, 28, uma série de ataques coordenados ao Irã. Além da morte de centenas de pessoas, a ação resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Mas, o que levou ao ataque se os países estavam em negociação? Para especialistas, além do programa nuclear, há a intenção de derrubar o regime teocrático iraniano.

Essa escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã tem como pano de fundo uma questão antiga: o programa nuclear iraniano. A justificativa de Trump para os ataques é destruir o programa nuclear e proteger o povo americano de ameaças. O governo iraniano afirma não possuir bomba nuclear.

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O presidente do Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os bombardeios continuarão “ininterruptamente durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para atingirmos nosso objetivo de paz em todo o Oriente Médio e, de fato, no mundo todo!". Embora, no domingo, tenha aberto a possibilidade de negociação.

Fumaça sobe após uma explosão, depois que Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, em Teerã, em 1º de março de 2026.
Fumaça sobe após uma explosão, depois que Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, em Teerã, em 1º de março de 2026.
Foto: © Reuters/Majid Asgaripour / RFI

Por outro lado, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, declarou que vingar o Líder Supremo é um "direito e dever legítimo" da República Islâmica. Em discurso transmitido pela TV estatal, classificou a morte da "mais alta autoridade política do Irã e proeminente líder do xiismo" como uma "declaração de guerra contra os muçulmanos, e em particular contra os xiitas, em todo o mundo".

De acordo com a Mehr, os números foram informados por um porta-voz do Crescente Vermelho iraniano. "Vinte e quatro províncias do Irã foram atingidas" pelas ofensivas, afirmou o representante, acrescentando que o balanço preliminar indica "pelo menos 201 mortos e 747 feridos".

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Veja os locais dos ataques de EUA e Israel e a retaliação do Irã

Pontos vermelhos indicam locais onde explosões foram confirmadas. Teerã responde com mísseis contra bases americanas.

 

Legenda

 

Cidades atacadas no Irã:

 

Retaliação iraniana:

Mísseis balísticos e drones foram lançados contra instalações militares americanas no Iraque, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos, em resposta direta aos bombardeios em território iraniano.

Dados coletados por agências internacionais. Os pontos vermelhos representam zonas de impacto confirmadas em 28 de fevereiro de 2026.

Negociação frustrada

Os governo dos dois países estavam em negociação na Suíça para chegar a um acordo sobre o programa nuclear e um possível alívio das sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã. Na quinta-feira, 26, última rodada de negociações, o Irã concordou em 'nunca' estocar urânio enriquecido. O ministro das relações internacionais de Omã chegou a afirmar que houve "progrressos significativos" nas negociações de paz.

Mas, no sábado, data em que estava marcada a quarta reunião para discutir o encerramento do programa nuclear iraniano, foram realizados os ataques coordenados por Israel e Estados Unidos. O que foi considerado por especialistas em direito internacional como um ataque ilegal, uma vez que os países estavam em negociação e não foi informado que essas negociações estavam encerradas.

Mudança de governo e petróleo

Se Estados Unidos e Irã negociavam, o que motivou o ataque? Para o professor Relações Internacionais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mauricio Santoro, "as três principais razões que motivaram o ataque foram o programa nuclear iraniano, seu estoque de mísseis balísticos e o apoio do regime a uma série de grupos armados no Oriente Médio que são hostis aos EUA e a Israel, como Hamas e Hezbolá. Essas três características tornam o Irã uma ameaça para os interesses americanos na região."

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Santoro explica que Trump tem como objetivo a derrubada do regime iraniano. "Ao menos sua substituição por dirigentes dóceis aos EUA, como ocorreu recentemente na Venezuela."

O professor de Relações Internacionais da SKEMA Business School, Wilson Mendonça, avalia que além da derrubada do regime dosa aiatolás, Trump está de olho na China. "Existe a questão de interesse geopolítico, de uma alteração na balança de poder na região. Haja vista que o principal comprador de petróleo iraniano é a China, que conta, inclusive, com condições especiais, desse fornecimento de petróleo por parte da do Irã."

Na interpretação de Mendonça, a geopolítica da energia, principalmente o petróleo, é um dos pontos estratégicos para a intervenção dos Estados Unidos na região.

"É preciso entender um aspecto muito mais amplo, né, no que diz respeito a balança de poder no Oriente Médio e no caso uma tentativa de deslocamento geopolítico de influência por parte tanto da Rússia quanto da China na região", explica. "Trump busca ampliar a capacidade de influência estratégica dos Estados Unidos também utilizando Israel como defensor dos seus interesses no Oriente Médio."

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Rússia e China

Assim como ocorreu na Venezuela, um parceiro estratégico de China e Rússia, Trump movimenta as peças do xadrez da geopolítica em busca de um governo que atenda aos interesses norte-americanos e busca reduzir a área de influência da China e Rússia. 

"O Irã é um parceiro importante para China e Rússia, mas nem Pequim nem Moscou querem pagar o preço de ajudar o regime iraniano. Irão se limitar a manifestações retóricas contra as ações dos EUA", avalia Maurício Santoro.

Mendonça aposta que "tanto Vladimir Putin quanto Xi Jinping, devem se manifestar, mas de uma maneira mais cirúrgica e estratégica em relações bilaterais com os Estados Unidos, no que diz respeito a essas movimentações de deslocamento de influência geopolítica globais, não apenas no Oriente Médio, mas também na América do Sul, assim como vimos na Venezuela."

Fonte: Portal Terra
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