Conflito entre EUA, Israel e Irã deve pressionar economia global; Netanyahu promete ofensiva maior

Duas fortes explosões voltaram a sacudir Teerã na noite de domingo (1º), fazendo tremer prédios a quilômetros de distância. Os incidentes ocorreram no segundo dia de ataques israelo-americanos. O conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã deve provocar uma forte alta nos preços do petróleo quando o mercado abrir na noite deste domingo para segunda-feira (2), com potencial de gerar impactos significativos na economia mundial caso a crise se prolongue.

1 mar 2026 - 16h57
(atualizado às 17h00)

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que Israel mobiliza "toda a força de seu Exército" na operação conjunta com os Estados Unidos para garantir "existência e futuro" do país. Ele afirmou ainda que as forças israelenses estão atacando "o coração de Teerã com intensidade crescente", que deve aumentar nos próximos dias. Donald Trump indicou neste domingo que aceitou conversar com os novos líderes iranianos, enquanto as retaliações de Teerã mataram pelo menos três soldados americanos e nove civis israelenses ao longo do dia.

A capital iraniana, Teerã, foi atacada pela segunda vez consecutiva por aviões das forças aéreas israelense e americana. A primeira onda de bombardeios matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
A capital iraniana, Teerã, foi atacada pela segunda vez consecutiva por aviões das forças aéreas israelense e americana. A primeira onda de bombardeios matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Foto: AFP - ATTA KENARE / RFI

Após a confirmação da morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de outras figuras centrais da República Islâmica, Israel e Estados Unidos não dão sinais de reduzir a pressão sobre Teerã, que decidiu responder em várias frentes no Oriente Médio.

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A tensão na região também deve impactar de forma significativa a economia mundial. Segundo Amena Bakr, especialista em Opep+ e Oriente Médio da Kpler (empresa internacional de inteligência de dados que fornece informações em tempo real sobre fluxos globais de petróleo e gás), o barril pode subir para entre US$ 85 e US$ 90 já nesta segunda-feira. O valor representa um salto expressivo em relação aos US$ 72 registrados na sexta-feira e bem acima dos US$ 61 do início do ano.

Risco no Estreito de Ormuz agrava tensão no mercado

O agravamento regional coloca em risco o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Embora o estreito não esteja oficialmente fechado, o preço dos seguros disparou e grandes companhias marítimas suspenderam operações na rota.

Segundo a consultoria Rystad Energy, mesmo com rotas alternativas, a perda líquida pode variar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia, reduzindo de forma significativa a oferta global.

Trump minimiza impacto econômico

Questionado pela Fox News sobre a alta esperada no preço dos combustíveis, o presidente americano disse não estar preocupado e justificou a ofensiva afirmando que, sem os ataques, o Irã teria uma arma nuclear "em menos de duas semanas".

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Para analistas, porém, preços altos do petróleo são o ponto fraco de Trump, que prometeu combustíveis baratos aos eleitores antes das eleições legislativas do fim do ano. Michelle Brouhard, da Kpler, avalia que o Irã pode tentar manter o petróleo em alta para pressionar Washington.

Gás também deve subir, ampliando risco inflacionário

Os preços do gás natural devem aumentar com a crise, já que o Catar — importante exportador global — pode ser afetado. A última vez que o petróleo ultrapassou US$ 100 foi no início da guerra na Ucrânia, quando o gás também disparou, impulsionando a inflação mundial.

Eric Dor, professor da IESEG School of Management, afirma que um choque prolongado pode gerar "efeito recessivo", com impactos sobre combustíveis, energia, frete marítimo e companhias aéreas. Setores como defesa podem subir nas bolsas, mas transporte, turismo e logística tendem a registrar quedas.

Com AFP

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