EUA e Irã encerram negociações de cessar-fogo sem acordo e trocando acusações

Americanos dizem não ter recebido sinais claros de fim do programa nuclear e abertura permanente de Hormuz; iranianos reclamam de "excesso de exigências"

12 abr 2026 - 08h01
(atualizado às 08h03)

ISLAMABAD (AP) — Os Estados Unidos e o Irã encerraram neste domingo, 12, negociações presenciais sem chegar a um acordo para encerrar a guerra, deixando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas. Autoridades americanas disseram que as negociações fracassaram devido ao que descreveram como a recusa do Irã em se comprometer a abandonar seu programa nuclear, enquanto autoridades iranianas culparam os EUA pelo colapso das conversas, sem especificar os pontos de impasse.

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Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o término do cessar-fogo de 14 dias, em 22 de abril. Mediadores paquistaneses pediram a todas as partes que o mantenham. Ambos afirmaram que suas posições eram claras e atribuíram ao outro lado a responsabilidade, ressaltando o quanto a distância entre eles pouco diminuiu ao longo das negociações.

"Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear e não buscarão os meios que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear", disse o vice-presidente JD Vance após as 21 horas de negociações.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, que liderou o Irã nas negociações, disse que era hora de os Estados Unidos "decidirem se podem conquistar nossa confiança ou não".

Ele não mencionou as disputas centrais em uma série de postagens nas redes sociais, embora autoridades iranianas tenham dito anteriormente que as conversas fracassaram por causa de dois ou três pontos-chave, culpando o que chamaram de excesso de exigências dos EUA.

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O Irã há muito nega buscar armas nucleares, mas insiste em seu direito a um programa nuclear civil. Especialistas afirmam que seu estoque de urânio enriquecido, embora não seja de grau militar, está a apenas um pequeno passo técnico disso.

Desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro, pelo menos 3.000 pessoas morreram no Irã, 2.020 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia em Estados árabes do Golfo, além de danos duradouros à infraestrutura em meia dúzia de países do Oriente Médio. O controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz praticamente interrompeu o fluxo do Golfo Pérsico e suas exportações de petróleo e gás para a economia global, elevando os preços da energia.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, disse que seu país tentará facilitar um novo diálogo entre Irã e Estados Unidos nos próximos dias.

"É imperativo que as partes continuem a cumprir seu compromisso com o cessar-fogo", disse Dar.

O impasse — e a proposta do tipo "pegar ou largar" apresentada por Vance para que o Irã encerre seu programa nuclear — refletiu as negociações nucleares de fevereiro na Suíça. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado que a guerra subsequente tinha como objetivo forçar os líderes iranianos a abandonar ambições nucleares, as posições de ambos os lados pareceram inalteradas nas negociações após seis semanas de combate.

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Não houve informação sobre a retomada das conversas, embora o Irã tenha dito estar aberto a continuar o diálogo, informou a agência estatal IRNA.

"Nunca buscamos a guerra. Mas se eles tentarem conquistar na mesa de negociações o que não conseguiram no campo de batalha, isso é absolutamente inaceitável", disse Mohammad Bagher Karami, de 60 anos, no centro de Teerã.

EUA tentam alterar status no Estreito de Ormuz

Estados Unidos e Irã entraram nas negociações com propostas muito diferentes e avaliações contrastantes sobre seu poder de influência para encerrar a guerra. Antes mesmo de as negociações começarem, o cessar-fogo já estava ameaçado por profundas divergências e pelos ataques contínuos de Israel contra o Hezbollah no Líbano.

A proposta de 10 pontos do Irã previa o fim garantido da guerra e buscava controle sobre o Estreito de Ormuz. Também incluía o fim dos combates contra os "aliados regionais" do Irã, pedindo explicitamente a interrupção dos ataques israelenses ao Hezbollah.

Autoridades paquistanesas disseram à Associated Press, em março, que a proposta americana de 15 pontos incluía mecanismos de monitoramento e a reversão do programa nuclear iraniano. Segundo eles, também abordava a reabertura do Estreito de Ormuz.

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De fato, o fechamento do estreito pelo Irã tem sido sua maior vantagem estratégica na guerra. Cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente costuma passar por ali, com mais de 100 navios por dia.

Durante as negociações, os militares dos EUA disseram que dois destróieres atravessaram essa via estratégica antes de operações de desminagem — algo inédito desde o início da guerra. A mídia estatal iraniana, porém, afirmou que o comando militar conjunto do país negou isso.

"Estamos limpando o estreito. Haver acordo ou não não faz diferença para mim", disse Trump, enquanto as negociações avançavam pela madrugada de domingo.

Donald Trump acusa o Irã de não respeitar acordo após país limitar passagem no Estreito de Ormuz
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Israel intensifica ações no Líbano

O impasse levanta novas dúvidas sobre os combates no Líbano. Israel continuou seus ataques após o anúncio do cessar-fogo, afirmando que o acordo não se aplicava àquele cenário. Irã e Paquistão discordaram.

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A agência estatal libanesa informou que seis pessoas morreram no domingo em um ataque israelense em Maaroub, vila próxima à cidade costeira de Tiro. Embora os bombardeios sobre Beirute tenham diminuído nos últimos dias, os ataques no sul do Líbano se intensificaram, junto com a retomada de uma ofensiva terrestre após o Hezbollah disparar foguetes contra Israel no início da guerra.

Negociações entre Israel e Líbano devem começar na terça-feira, 14, em Washington, segundo o gabinete do presidente libanês, Joseph Aoun, após o anúncio surpresa de Israel autorizando conversas apesar da ausência de relações oficiais entre os países. Protestos ocorreram em Beirute no sábado contra essas negociações.

Israel quer que o governo libanês assuma a responsabilidade de desarmar o Hezbollah, como previsto em um cessar-fogo de novembro de 2024. No entanto, o grupo militante resistiu a tentativas de enfraquecê-lo por décadas.

No dia em que o cessar-fogo com o Irã foi anunciado, Israel bombardeou Beirute, matando mais de 300 pessoas no dia mais mortal no Líbano desde o início da guerra, segundo o Ministério da Saúde do país.

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