Na Ásia, secretário dos EUA alerta para expansão militar chinesa e cobra mais gastos de aliados

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou neste sábado (30) que há "motivo legítimo para alarme" em relação ao fortalecimento militar da China. Ele voltou a incitar os países aliados a aumentarem os gastos com defesa.

30 mai 2026 - 10h21

Em um discurso para um grupo de oficiais militares no Diálogo de Shangri-La, um importante fórum de defesa realizado em Singapura, Pete Hegseth também afirmou que os Estados Unidos desejam um "equilíbrio estável" na região da Ásia-Pacífico. Duas semanas após uma reunião em Pequim entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, o secretário de Defesa americano tentou manter o ímpeto da política de apaziguamento bilateral, abstendo-se dos comentários particularmente duros que havia feito no ano passado sobre o governo chinês.

Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, discursa na abertura dos Diálogos de Shangri-La. (30/05/2026)
Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, discursa na abertura dos Diálogos de Shangri-La. (30/05/2026)
Foto: REUTERS - Edgar Su / RFI

O chefe do Pentágono chegou a Singapura com uma grande delegação, mas, pelo segundo ano consecutivo, Pequim enviou apenas uma equipe de especialistas militares, sem o ministro da Defesa, Dong Jun.

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"Olhando para a região hoje, há motivo legítimo para alarme com a escala histórica do fortalecimento militar da China", disse Pete Hegseth.

Os Estados Unidos, contudo, não desejam um "confronto desnecessário" na região da Ásia-Pacífico, mas sim "um equilíbrio verdadeiramente estável que funcione tanto para os americanos quanto para nossos aliados", enfatizou.

O secretário elogiou "um equilíbrio de poder favorável, porém sustentável, no qual nenhum Estado, incluindo a China, possa impor sua hegemonia ou ameaçar a segurança ou a prosperidade de nossa nação e de nossos aliados".

Venda de armas a Taiwan

Pequim está em desacordo com Washington, em particular, sobre a questão altamente sensível de Taiwan, que a China pretende "reunificar" com seu território, baseado em razões históricas. Apesar de alguns atritos, os Estados Unidos buscam um diálogo "respeitoso" e "de boa-fé" com o gigante asiático, indicou Hegseth.

Há duas semanas, o presidente americano insinuou que a venda de armas americanas para Taiwan poderia ser usada como moeda de troca contra Pequim. Não houve "nenhuma mudança" na posição de Washington sobre Taiwan, mas "qualquer decisão relativa a futuras vendas de armas para Taiwan (...) será tomada" por Trump, esclareceu Hegseth neste sábado.

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O general Meng Xiangqing, chefe da delegação chinesa, afirmou que o discurso do americano refletiu os resultados do encontro entre Trump e Xi Jinping.

"Isso demonstra mais uma vez que relações estáveis entre os Estados Unidos e a China não são apenas benéficas para ambos os povos, mas também para a estabilidade regional e a paz mundial", declarou Da Wei, delegado chinês no Diálogo de Shangri-La e diretor do Centro de Segurança e Estratégia Internacional da Universidade de Tsinghua (Pequim), à AFP.

Fim de 'aproveitadores'

Pete Hegseth voltou a incitar os aliados dos EUA a investirem mais em sua defesa, elogiando particularmente a Coreia do Sul, o Japão, a Austrália e as Filipinas. Ao mesmo tempo, ameaçou os países que "se aproveitam da generosidade do contribuinte americano de graça".

"Os dias em que os Estados Unidos subsidiavam a defesa de nações ricas acabaram. Os aliados que se recusarem a assumir sua parte do ônus da nossa defesa coletiva enfrentarão uma mudança clara na forma como fazemos negócios", enfatizou. "Precisamos de parceiros, não de protetorados", acrescentou. "Não queremos aproveitadores", continuou.

Os Estados Unidos esperam que seus aliados e parceiros na Ásia aumentem seus gastos com defesa para 3,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB), disse Pete Hegseth. Os aliados prometeram investir US$ 1,5 trilhão em suas forças armadas.

Ameaça ao Irã

O Diálogo de Shangri-La ocorre em meio à incerteza sobre o resultado das negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Um funcionário da Casa Branca disse à AFP na sexta-feira que Donald Trump só assinará um acordo se suas "exigências forem atendidas".

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Pete Hegseth frisou que os Estados Unidos são "plenamente capazes" de retomar as hostilidades, se necessário. "Nossos estoques são mais do que suficientes para isso, tanto aqui quanto ao redor do mundo."

Ele acrescentou que o presidente dos EUA permanecia "paciente" e buscava um "acordo sólido" para impedir que o Irã adquirisse armas nucleares. Donald Trump) afirmou na sexta-feira que convocaria seus assessores em um local seguro na Casa Branca para tomar uma "decisão final" sobre uma proposta para encerrar a guerra contra o Irã.

Com AFP e Reuters

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