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Dia do Orgulho Nerd - Quando ser nerd deixou de ser vergonha e virou status

Animes, games e boletos: como a cultura geek dominou a vida adulta

25 mai 2026 - 14h31
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Dia do Orgulho Nerd - Quando ser nerd deixou de ser vergonha e virou status
Dia do Orgulho Nerd - Quando ser nerd deixou de ser vergonha e virou status
Foto: Reprodução/GettyImages

Houve um tempo em que gostar de animes, videogames, card games ou quadrinhos era praticamente um convite para virar alvo na escola. O garoto que desenhava Dragon Ball no caderno era o “esquisito”. Quem levava cartas de Pokémon para o recreio precisava esconder a mochila. E falar sobre RPG ou mangá em voz alta quase sempre rendia olhares tortos. Consumir esse material não era "cool". Era motivo de piada. O nerd era o esquisito, o alvo do bullying, o herói incompreendido dos bastidores da escola.

Corta para 2026. Hoje, 25 de maio, comemoramos o Dia do Orgulho Nerd. E a maior ironia do destino é perceber que a geração que antes escondia a fita VHS ou os gibis de Akira na mochila para não passar vergonha, hoje é a mesma que gerencia planilhas financeiras, desbloqueia skins de R$ 80 no lançamento, coleciona action figures que custam mais que um salário mínimo e lota eventos geek gigantescos com personagens que antes precisava fingir que nem conhecia.

O mundo girou, o jogo virou, e o que antes era motivo de exclusão, hoje é símbolo de status social e um mercado multimilionário que não para de crescer. O Dia do Orgulho Nerd talvez nunca tenha feito tanto sentido.

O nerd deixou de ser “o excluído”

Com US$ 980 milhões, Super Mario Galaxy: O Filme possui a maior bilheteria de 2026 até agora
Com US$ 980 milhões, Super Mario Galaxy: O Filme possui a maior bilheteria de 2026 até agora
Foto: Reprodução

Existe algo curioso acontecendo nos últimos anos: a cultura nerd venceu. Não de forma simbólica ou discreta — ela simplesmente dominou o entretenimento mundial.

Os maiores filmes do planeta atualmente são adaptações de quadrinhos ou de games. As maiores franquias da indústria pertencem aos games. Animes e cosplays viraram assunto comum em academia, escritório e mesa de bar. E aquilo que antes precisava ser escondido agora é usado quase como identidade social.

Parte disso aconteceu porque a geração que cresceu consumindo cultura nerd finalmente virou adulta. Ela começou a trabalhar, ganhar dinheiro e ocupar espaço na internet. E quando isso aconteceu, o mercado percebeu rapidamente que existia uma mina de ouro ali.

O colecionismo adulto explodiu de forma avassaladora, especialmente no pós-pandemia. Trancadas em casa, as pessoas buscaram reconexão com suas infâncias, e o mercado percebeu que a nostalgia é a mercadoria mais valiosa do século XXI. Se antes guardávamos os bonecos na caixa por falta de espaço, hoje montamos prateleiras com iluminação LED para exibir action figures que custam o salário de um mês.

O antigo “garoto nerdão” virou consumidor premium.

A geração dos influencers geeks

YouTubers e influencers geek ajudaram na mudança cultural sobre o "ser nerd"
YouTubers e influencers geek ajudaram na mudança cultural sobre o "ser nerd"
Foto: Reprodução/Unsplash

Essa mudança cultural não aconteceu de um dia para o outro. Ela foi pavimentada por uma nova geração de criadores de conteúdo, streamers e YouTubers que transformaram o "ser nerd" em profissão de elite. Figuras que antes seriam os comentaristas da última fileira da classe hoje arrastam multidões em arenas de eSports lotadas, fecham patrocínios com marcas de luxo e ditam tendências de moda.

Se antigamente gostar de videogames, super-heróis e animes era motivo de vergonha, hoje existem pessoas milionárias falando sobre Pokémon, One Piece e Marvel na internet. YouTubers, streamers e influencers ajudaram a transformar hobbies considerados “estranhos” em algo aspiracional. O conteúdo geek deixou de ficar preso em fóruns obscuros e ganhou palco principal no algoritmo.

Hoje existem criadores especializados em abrir booster packs caríssimos, analisar colecionáveis raros ou simplesmente reagir e comentar os trailers da Marvel — e isso movimenta milhões de visualizações. A cultura nerd deixou de ser um nicho e virou entretenimento de massa que gira milhões de dólares.

Videogames também viraram símbolo social

Ter um quarto gamer não é motivo de vergonha hoje em dia e sim de ostentação
Ter um quarto gamer não é motivo de vergonha hoje em dia e sim de ostentação
Foto: Reprodução/Unplash

Existe uma ironia interessante nisso tudo: o videogame já foi tratado como coisa de criança ou perda de tempo. Hoje, ele também funciona como demonstração de poder de consumo.

Ter um console de edição limitada ou um setup de computador caro, uma cadeira gamer gigantesca, periféricos RGB e skins exclusivas virou parte da identidade digital de muita gente. Em alguns casos, o consumo dentro dos próprios jogos virou demonstração pública de status.

Não é raro ver jogadores gastando centenas — ou milhares — de reais em cosméticos, passes de batalha e itens limitados. A indústria entendeu rapidamente que vender aparência digital pode ser tão lucrativo quanto vender o jogo em si.

Foto: Reprodução/Unplash

Essa virada de chave do mercado fica ainda mais evidente quando lembro de uma situação que vivi anos atrás. Eu estava em uma balada, batendo papo com uma amiga, quando uma conhecida dela se juntou a nós. Papo vai, papo vem, veio a pergunta clássica: "O que você faz da vida?". 

Quando respondi que era jornalista e cobria a indústria de videogames, a reação dela veio acompanhada de uma risadinha debochada: "Videogames? Isso é coisa pra criança". Minha amiga, que também curte cultura geek, e percebendo o climão, interveio na hora: "Não liga para ela, ela não faz ideia do que está falando". E não fazia mesmo. Corta para hoje, e essa mesma "coisa de criança" fatura mais que o cinema e a música juntos, ditando o que o adulto gasta no cartão de crédito.

Na época, aquilo me chamou atenção justamente porque mostrava um choque geracional curioso: enquanto uma parte das pessoas ainda enxergava games como passatempo infantil, outra já entendia que eles tinham se tornado uma das maiores forças da cultura pop moderna.

O "Nerd" virou mercado premium

Os "bonequinhos" action figures movimentam milhões e têm como alvo o público nerd/geek
Os "bonequinhos" action figures movimentam milhões e têm como alvo o público nerd/geek
Foto: Reprodução/Unsplash

A verdade nua e crua que precisamos encarar neste Dia do Orgulho Nerd é que nós, nerds dos anos 80/90, viramos o mercado premium. As grandes corporações entenderam que o público nerd não apenas consome, mas consome com paixão e fidelidade cega. O videogame deixou de ser um brinquedo de criança para se tornar um símbolo de status social. Ter o console de última geração na sala ou um PC com hardware de ponta é o equivalente moderno a ostentar um relógio caro no pulso.

Nós vencemos a barreira do preconceito, é verdade. Hoje é maravilhoso andar na rua com uma camiseta do Naruto, Nintendo, PlayStation ou Star Wars e ser elogiado por isso. Mas essa vitória veio com um preço — impresso em faturas de cartão de crédito. 

Nós somos a geração que gasta o dinheiro do almoço em passe de batalha, que financia estátuas de resina em doze vezes e que orgulhosamente trabalha de segunda a sexta para comprar games no dia do lançamento ou manter as assinaturas do Game Pass/PS Plus e os servidores dos nossos jogos favoritos ativos.

Seja escondendo as nerdices no passado ou ostentando a skin lendária no presente, o Orgulho Nerd é sobre isso: manter viva a paixão por mundos fantásticos que nos acolheram quando o mundo real parecia sem graça.

Feliz Dia do Orgulho Nerd!

Fonte: Game On
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