Ex-presidente pró-russo da Bulgária lidera corrida eleitoral com discurso anti-corrupção

16 abr 2026 - 09h36

Em um vale gramado na zona rural do sul da Bulgária, o fazendeiro Nikolay Vasiliev está desesperado por mudanças. Durante anos, segundo ele, autoridades locais corruptas bloquearam os planos de expansão de seu negócio de criação de gado. Os governos da capital Sofia não conseguiram erradicar a corrupção ou apoiar a economia em crise da região.

Agora, porém, ⁠ele diz que há esperança. Colado em um poste do lado de fora de sua fazenda, ‌há um cartaz de campanha eleitoral com o retrato sem sorrir de Rumen Radev, um ex-piloto de caça pró-russo que deixou o cargo de presidente em janeiro para ‌poder concorrer na votação parlamentar de 19 de abril.

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Radev ‌lidera as pesquisas, impulsionado pelo apoio de eleitores rurais mais velhos que o ⁠veem como um salvador para pôr fim a anos de turbulência e quebrar o que ele chama de "oligarquia" de políticos veteranos corruptos.

"Vejo um líder que pode fazer essa mudança drástica e proporcionar segurança às pessoas", disse Vasiliev em uma entrevista em sua fazenda na província de Haskovo, na Bulgária. "Chegou a hora de resolvermos fundamentalmente os problemas do país."

A Bulgária, uma ‌nação do Mar Negro com cerca de 6,5 milhões de habitantes na fronteira sudeste da ‌União Europeia, vota no domingo ⁠pela oitava vez em ⁠cinco anos em meio a uma crise política na qual coalizões fracas não conseguiram sobreviver e a ⁠confiança em eleições democráticas diminuiu.

Essa eleição parece diferente, ‌disseram vários eleitores à Reuters. ‌Radev, que foi eleito presidente, um papel amplamente cerimonial, em 2016, saiu praticamente ileso da crise e prometeu acabar com a corrupção e proporcionar estabilidade.

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Especialistas afirmam que a corrupção existe na Bulgária em tudo, desde acordos de compras públicas até eleições ⁠locais. Bulgária está classificada em 84º lugar no Índice de Percepção de Corrupção de 2025 da Transparência Internacional, no mesmo nível da Hungria como o país com a pontuação mais baixa da UE.

Radev prometeu na quarta-feira acabar com "os senhores feudais locais e os homens fortes que estão sufocando regiões inteiras da Bulgária".

UM ‌NOVO ORBÁN?

Uma vitória de Radev poderia redefinir a política externa da Bulgária, que tem sido ditada por partidos leais a Bruxelas. Bulgária aderiu à zona do euro em janeiro e, ⁠no mês passado, assinou um acordo de segurança com a Ucrânia, medidas às quais Radev se opõe.

"Os responsáveis pela coalizão introduziram o euro na Bulgária sem perguntar a vocês. E agora, quando vocês pagarem suas contas, lembrem-se sempre de quais políticos prometeram que vocês estariam no 'clube dos ricos'", disse Radev na quarta-feira, respondendo à frustração do povo com o aumento das contas.

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Depois que o primeiro-ministro pró-Kremlin da Hungria, Viktor Orbán, foi derrubado do cargo por voto, Radev está se posicionando como o único líder remanescente da UE disposto a melhorar as relações com Moscou, mesmo com a guerra da Rússia na Ucrânia.

"Somos o único Estado membro da União Europeia que é eslavo e ortodoxo oriental", disse ele em uma entrevista ao jornalista búlgaro Martin Karbovski. "Podemos ser um elo muito importante em todo esse mecanismo... para restaurar as relações com a Rússia."

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