Primeira rodada de negociações de paz entre EUA e Irã no Paquistão são encerradas sem acordo

12 abr 2026 - 07h53
(atualizado às 08h03)
O vice‑presidente dos Estados Unidos, JD Vance, discursa em uma coletiva de imprensa após o encerramento das negociações com representantes do Irã em Islamabad, no Paquistão, neste domingo, 12 de abril de 2026.
O vice‑presidente dos Estados Unidos, JD Vance, discursa em uma coletiva de imprensa após o encerramento das negociações com representantes do Irã em Islamabad, no Paquistão, neste domingo, 12 de abril de 2026.
Foto: © Pool / via Reuters / RFI

Os Estados Unidos e o Irã não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio, após 21 horas de negociações diretas em Islamabad, no Paquistão, iniciadas no sábado (11). Em coletiva de imprensa neste domingo (12), o vice-presidente americano, JD Vance indicou que a delegação americana estava retornando aos Estados Unidos devido à falta de uma "promessa firme" da parte de Teerã sobre o abandono de seu programa nuclear: uma das principais exigências de Donald Trump.

O encontro é considerado o gesto diplomático de mais alto nível entre os dois países em quase meio século, desde a Revolução Islâmica de 1979. Embora tenha lamentado a falta de comprometimento do Irã, Vance deu a entender que os Estados Unidos oferecem a possibilidade ao regime para analisar a proposta americana.

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"Tivemos várias discussões significativas com os iranianos, essa é a boa notícia", afirmou o vice-presidente, em uma breve coletiva de imprensa em Islamabad. "A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos. Então, estamos voltando aos Estados Unidos sem ter alcançado um acordo. Deixamos muito claro quais são as nossas prioridades e os iranianos escolheram não aceitar nossos termos", reiterou. 

Segundo Vance, os Estados Unidos precisam ter "uma promessa efetiva" da parte do Irã de que eles não fabricarão armas atômicas ou ferramentas para construi-las a longo prazo. "A questão é: temos um compromisso fundamental de determinação da parte dos iranianos? Ainda não vimos isso e esperamos que isso aconteça", disse.

O vice-presidente ainda revelou que durante as 21 horas de negociações, a delegação americana estava em constante contato com Donald Trump. "Estamos indo embora com uma proposta muito simples: um entendimento que esta é a nossa melhor e última oferta. Vamos ver se os iranianos a aceitam", concluiu. 

Já o Irã atribui o fracasso das negociações ao excesso de exigências dos Estados Unidos, classificadas de "irracionais". O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, disse que sua delegação não esperava alcançar um acordo em uma única rodada de negociações, e destacou a "atmosfera de suspeita e desconfiança" da parte dos representantes dos Estados Unidos. 

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O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã, criticou na rede social X os Estados Unidos, que segundo ele foram "incapazes" de inspirar confiança durante as negociações. Já para o ex‑ministro iraniano das Relações Exteriores Mohammad Javad Zarif as conversas fracassaram devido a tentativas dos Estados Unidos de "ditar suas condições".

Continuação do cessar-fogo

O Paquistão, mediador das negociações, fez um apelo neste domingo para que o cessar-fogo de duas semanas anunciado na terça-feira (7) continue a ser respeitado, apesar do fracasso das conversas. Até o momento, os Estados Unidos e o Irã não se pronunciaram sobre o futuro da trégua, que deve expirar em 22 de abril.

Também permanece em aberto a questão do desbloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã, rota crucial para o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico. A obstrução da passagem suscita consequências em cascata para a economia global, entre escassez do produto e aumento de preços. 

O Exército dos Estados Unidos afirmou no sábado que dois de seus navios de guerra atravessaram o estreito em uma operação preparatória para a retirada das minas do local. No entanto, a Guarda Revolucionária, o braço ideológico das Forças Armadas do Irã, advertiram na madrugada deste domingo que agiriam com "severidade" contra embarcações militares que transitassem pela região. 

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Já a Arábia Saudita anunciou neste domingo que o oleoduto que atravessa o reino de leste a oeste — infraestrutura crucial para a exportação de petróleo durante o bloqueio do estreito de Ormuz — voltou a estar "operacional" após bombardeios iranianos realizados em resposta à ofensiva americano‑israelense. Esses ataques atingiram bases e instalações americanas nos países do Golfo, além de importantes instalações petrolíferas e de gás, aeroportos e outras infraestruturas civis.

RFI com agências

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