França registra mais mortes que nascimentos em 2025 e se iguala a outros países europeus

Um marco simbólico para a demografia francesa, que se alinha a de seus vizinhos europeus: a França, que agora conta com 69,1 milhões de habitantes, registrou em 2025 mais óbitos do que nascimentos pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

13 jan 2026 - 14h15

Em 1º de janeiro de 2026, a população aumentou 0,25% em relação ao ano anterior, informou na terça-feira (13) o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee). Mas, pela primeira vez desde 1944, esse crescimento foi exclusivamente devido ao saldo migratório, ou seja, a diferença entre o número de pessoas que entraram e saíram do território, estimado em +176 mil pessoas.

A França registrou em 2025 mais óbitos do que nascimentos pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. (Foto ilustrativa)
A França registrou em 2025 mais óbitos do que nascimentos pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. (Foto ilustrativa)
Foto: © Getty Images/Karl Tapales / RFI

O saldo natural, que corresponde à diferença entre nascimentos e óbitos, tornou-se negativo: -6 mil pessoas. Essa situação é explicada por dois fatores: a queda nas taxas de natalidade e o aumento das mortes.

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A França era o último grande país da União Europeia a registrar essa mudança para o negativo.

Segundo os dados compilados pela Eurostat, o saldo natural da União Europeia (incluindo o Reino Unido até 2020) se tornou negativo em 2015. Desde 2020, o número de óbitos na Europa dos 27 Estados-membros tem superado, a cada ano, por mais de um milhão o número de nascimentos.

Desde sua reunificação em 1990, a Alemanha sempre registrou mais óbitos do que nascimentos, enquanto o saldo natural da Itália ficou negativo em 1993, o da Polônia em 2013 e o da Espanha em 2015, de acordo com a Eurostat.

Em 2024, além da França, apenas cinco países ainda apresentavam saldo natural positivo, segundo a mesma fonte: Irlanda, Suécia, Chipre, Luxemburgo e Malta. A Dinamarca estava em equilíbrio.

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Nascimento em declínio

"O que impressiona é a rapidez com que, em poucos anos, o saldo natural diminuiu devido à queda acentuada dos nascimentos", destacou Sylvie Le Minez, chefe da unidade de estudos demográficos e sociais do Insee, durante uma conferência de imprensa. Esse saldo natural ainda era de +200 mil pessoas em 2015.

Em 2025, 645 mil bebês nasceram no país, o que representa uma queda de 2,1% em relação ao ano anterior, o menor número em um único ano desde o fim da Segunda Guerra Mundial, pela quarta vez consecutiva. Isso representa até uma queda de 24% em relação a 2010, "ano do último pico de nascimentos".

Essa diminuição é atribuída à redução da taxa de fecundidade, ou seja, o número de filhos por mulher. O indicador conjuntural de fecundidade (ICF) também continuou a cair: no ano passado ele foi de 1,56 filho por mulher, após 1,61 em 2024, o nível mais baixo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Esse retrocesso faz parte de uma tendência de médio prazo, pois o índice vem diminuindo desde 2010, quando estava em 2,02 filhos por mulher na França metropolitana.

Os demógrafos apontam diversas explicações: as pessoas têm outras aspirações além de formar uma família, enfrentam dificuldades (em encontrar trabalho estável, em se acomodar) ou têm receios (em conciliar vida profissional e familiar, além de incertezas climáticas).

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O medo de não ter recursos financeiros foi destacado como um dos principais obstáculos ao desejo de ter filhos em uma consulta cidadã recente, realizada no âmbito de uma missão parlamentar sobre a queda da natalidade.

"A creche representa um custo enorme para nós - €800 por mês - e não conseguiríamos ter dois filhos", testemunha Océane, 32 anos, mãe de uma criança de três anos e executiva em uma empresa em Marselha. "O trabalho, a casa, os filhos, eu não saberia como lidar com tudo isso".

Paralelamente, o Insee observa um aumento dos óbitos devido à chegada a idades de alta mortalidade das gerações numerosas do baby boom.

Em 2025, 651 mil pessoas morreram na França, o que representa um aumento de 1,5% em relação ao ano anterior. Esse aumento também é explicado pela epidemia de gripe sazonal, "particularmente virulenta em janeiro", segundo o Insee.

Com AFP

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