Pessoa contaminada por hantavírus fora de navio coloca França em alerta sanitário

Um habitante da pequena cidade de Concarneau, no noroeste da França, que não estava a bordo do navio de cruzeiro, mas teve contato com o hantavírus, foi transferida nesta terça-feira (12) para o Hospital Universitário de Rennes, a 350 quilômetros a oeste de Paris. O governo francês adotou medidas de isolamento mais rígidas, em meio ao aumento do temor da população diante da possível propagação do vírus.

12 mai 2026 - 06h12

"Acabei de receber a confirmação de que a pessoa está sendo transferida nesta manhã para o Hospital Universitário de Rennes", afirmou Quentin Le Gaillard, prefeito de Concarneau, cidade portuária de 20 mil habitantes localizada a 550 quilômetros a noroeste de Paris, onde vive a pessoa transferida.

O prefeito ressaltou que não conhece a identidade nem as circunstâncias do contato com o vírus. "Por enquanto, trata-se apenas de uma exposição: uma pessoa que esteve em contato com alguém portador do vírus. Portanto, não há motivo para pânico; estamos falando de um único caso que foi contido", declarou à AFP por telefone.

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Segundo Le Gaillard, a população reagiu com relativa tranquilidade à notícia da possível contaminação. "As pessoas sentem que a situação está sendo tratada de forma muito eficaz pelas autoridades de saúde, pelo Estado e também pela prefeitura", acrescentou.

Após a confirmação de uma pessoa contaminada entre os cinco passageiros franceses que estavam a bordo do navio MV Hondius, a França endureceu os protocolos de isolamento para casos de contato e anunciou uma "quarentena hospitalar reforçada" para todos aqueles que tiveram contato com uma pessoa infectada.

A francesa que estava no cruzeiro e apresentou sintomas durante o voo de repatriação testou positivo e está internada em um hospital de Paris. Os outros quatro passageiros da França tiveram resultado negativo, mas continuarão isolados no mesmo hospital, segundo o jornal Le Figaro.

O Ministério da Saúde informou na segunda-feira a identificação de 22 pessoas expostas ao vírus: oito passageiros do voo de 25 de abril entre Santa Helena e Joanesburgo e outras 14 pessoas que estavam no voo Joanesburgo-Amsterdã no mesmo dia.

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A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, realizará uma coletiva de imprensa nesta terça-feira às 16h45 em Paris (11h45 em Brasília), acompanhada por epidemiologistas e pelo diretor da Saúde Pública da França, anunciou seu gabinete.

Três pessoas que viajaram a bordo do Hondius morreram. Em dois casos, a OMS confirmou infecção por hantavírus; o terceiro é tratado como caso provável.

A variante identificada no MV Hondius do hantavírus dos Andes é uma cepa rara, capaz de ser transmitida entre humanos e com período de incubação de até seis semanas. A doença pode provocar síndrome respiratória aguda e tem taxa de letalidade superior a 40%, segundo especialistas.

Ambulância transportando franceses suspeitos de contaminação pelo hantavírus em 10 de maio de 2026.
Ambulância transportando franceses suspeitos de contaminação pelo hantavírus em 10 de maio de 2026.
Foto: RFI

Medo da propagação

O temor da disseminação do hantavírus domina as manchetes dos principais jornais franceses nesta terça-feira. "Hantavírus: a contaminação pode se espalhar?", questiona Le Figaro em sua capa.

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A publicação destaca que as informações disponíveis até agora justificam as medidas rigorosas adotadas pelas autoridades sanitárias. A cepa Andes, detectada no cruzeiro, pode causar complicações cardiopulmonares e apresenta letalidade média de 40%.

"A França em alerta diante do hantavírus", estampa o diário econômico Les Echos. Segundo o jornal, a crise sanitária pode se prolongar por semanas na França e em outros países, já que passageiros contaminados a bordo do navio retornaram para os Países Baixos, Reino Unido, Suíça e Estados Unidos. O diário também destaca que, além dos passageiros contaminados, a França monitora outros 22 casos de pessoas expostas ao vírus.

O La Croix publicou uma reportagem especial para responder às principais dúvidas sobre a doença. O jornal ressalta que a situação não pode ser comparada à pandemia de Covid-19, sobretudo porque o hantavírus apresenta menor transmissibilidade. Em entrevista ao diário, o infectologista Emmanuel Piednoir afirmou, no entanto, que a doença é mais grave e representa mais uma "ameaça individual do que de saúde pública".

Já o Le Parisien reuniu em dez pontos "tudo o que se sabe" sobre o hantavírus. O jornal explica que os primeiros sintomas se assemelham aos de uma gripe, com febre leve, mas o quadro pode evoluir rapidamente para insuficiência cardiorrespiratória. A reportagem também lembra que ainda não existem medicamentos ou vacinas contra o hantavírus.

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RFI e AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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