Entre os cinco passageiros franceses repatriados no domingo (10) e colocados em isolamento no hospital Bichat, o estado de saúde de uma mulher "infelizmente se agravou" na noite de domingo para segunda-feira e os "testes deram positivo", anunciou a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, na manhã de segunda-feira, à rádio Franceinter.
O primeiro-ministro francês informou na noite de segunda-feira, na rede social X, que ela seguia "em terapia intensiva, em estado estável". Os outros quatro passageiros "continuam testando negativo" e estão submetidos a "um processo de isolamento reforçado em meio hospitalar", acrescentou Sébastien Lecornu.
Além disso, nenhum dos oito "casos de contato de alto risco", franceses que compartilharam o voo de uma pessoa doente há 15 dias, "apresenta sintomas", segundo o chefe de governo. No entanto, ele anuncia "para todos os casos de contato, sem exceção" uma "quarentena reforçada em meio hospitalar", em mensagem publicada ao fim de uma reunião interministerial em Matignon.
A ministra da Saúde informou na manhã de segunda-feira um total de 22 casos de contato identificados: os oito passageiros do voo de 25 de abril entre Santa Helena e Johanesburgo e outros 14 a bordo do voo Johanesburgo-Amsterdã do mesmo dia. Uma viajante de cruzeiro holandesa, infectada e posteriormente falecida, havia viajado no primeiro voo e também chegou a embarcar brevemente no avião para Amsterdã, mas acabou não viajando.
Esse anúncio do primeiro-ministro endurece, para esses casos de contato, as regras estabelecidas em um decreto publicado na noite de domingo para segunda-feira no Diário Oficial: até então, pedia-se em primeiro lugar que eles se registrassem "sem demora" e que observassem uma "medida de quarentena em domicílio, enquanto aguardam uma avaliação de seu risco de infecção". A partir de agora, o governo anuncia "para todos os casos de contato, sem exceção" uma "quarentena reforçada em meio hospitalar".
"Agir bem no início"
A OMS procura tranquilizar diante do "baixo" nível de risco epidêmico, já que o vírus é menos contagioso que a Covid-19. "O que é importante é agir bem no início", insistiu a ministra francesa da Saúde, "ou seja, romper as cadeias de transmissão do vírus".
Duas reuniões interministeriais sobre o hantavírus serão realizadas todos os dias em Matignon, indicou o primeiro-ministro, que recebeu na noite de segunda-feira especialistas em epidemiologia. "Acompanhamos a situação com a maior vigilância, com base em um vírus que já conhecemos, daí os 42 dias de isolamento que foram decididos e um objetivo que permanece o mesmo: proteger as francesas e os franceses", declarou a porta-voz do governo, Maud Bregeon, à BFMTV, conclamando a "não criar pânico".
A ministra da Saúde garantiu mais uma vez que a França dispõe dos estoques necessários de máscaras e testes. "Eu obviamente pedi um levantamento da situação que permite confirmar que temos o suficiente", mas "a organização desde a Covid permitiu que tenhamos estoques suficientes de máscaras, estoques de testes", disse ela.
O hantavírus Andes, uma cepa rara
Três pessoas que viajaram a bordo do Hondius morreram: em dois casos, a OMS confirmou infecção por hantavírus, o terceiro sendo um caso provável. Além dessas três mortes, seis casos confirmados e outro provável foram registrados. A variante do vírus detectada a bordo do MV Hondius, o hantavírus Andes, é uma cepa rara que pode ser transmitida de pessoa para pessoa, com um período de incubação que pode chegar a seis semanas. Essa doença pode, em particular, provocar uma síndrome respiratória aguda e sua taxa de letalidade pode ultrapassar 40%, segundo especialistas.
Segundo a OMS, todos os ocupantes do MV Hondius, que partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, são considerados "contatos de alto risco" e deverão ser monitorados por 42 dias.
(Com agências)