"Convocaremos o embaixador dos EUA na França, visto que a embaixada americana na França comentou essa tragédia (...) que diz respeito à comunidade nacional", disse Jean-Noël Barrot, em entrevista à mídia francesa.
"Rejeitamos qualquer exploração dessa tragédia (...) para fins políticos", acrescentou, afirmando que a França "não tem lições a aprender sobre violência, particularmente com a comunidade internacional reacionária".
Fontes próximas ao ministro, contatadas pela AFP, não souberam informar imediatamente a data da convocação.
Quentin Deranque, um ativista radical de extrema-direita de 23 anos, foi espancado no dia 12 de fevereiro, em Lyon, por membros de grupos antifascistas. O jovem participava de uma manifestação contra uma conferência organizada pela eurodeputada Rima Hassan, do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI). Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 14.
O governo Trump denunciou a violência política da extrema esquerda na sexta-feira, em sua primeira reação oficial à morte de Deranque, exigindo que os responsáveis sejam levados à justiça.
"A democracia se baseia em um princípio fundamental: todos podem expressar livremente sua opinião na esfera pública sem correr o risco de serem mortos por isso", escreveu a subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, Sarah Rogers, no X, afirmando que estava acompanhando o caso "de perto".
"É por isso que tratamos a violência política — ou seja, o terrorismo — com tanta severidade. Quando se decide matar pessoas por suas opiniões em vez de persuadi-las, ultrapassam-se os limites da civilização", acrescentou.
Democracy rests on a basic bargain: you get to bring any viewpoint to the public square, and nobody gets to kill you for it.
This is why we treat political violence — terrorism — so harshly. Once you decide to kill people for their opinions instead of persuade them, you've… https://t.co/Ue6XWFWAFC
— Under Secretary of State Sarah B. Rogers (@UnderSecPD) February 20, 2026
Rogers compartilhou uma mensagem publicada no dia anterior no X pelo Escritório de Contraterrorismo, parte do Departamento de Estado dos EUA, afirmando que "o extremismo violento de esquerda está em ascensão, e seu papel na morte de Quentin Deranque demonstra a ameaça que representa para a segurança pública".
"Continuaremos monitorando a situação e esperamos que os autores dessa violência sejam levados à justiça", dizia a mensagem. Rogers está liderando a ofensiva, em nome do governo dos EUA, contra o que Washington considera ataques à liberdade de expressão na Europa.
Discussão com Meloni
Giorgia Meloni também comentou a morte do ativista na França, provocando uma acalorada discussão com o presidente francês, Emmanuel Macron, que disse à primeira-ministra italiana para parar de "comentar o que está acontecendo em outros países".
Ela havia escrito no X, que "a morte de um jovem de pouco mais de 20 anos, atacado por grupos ligados ao extremismo de esquerda em um clima de ódio ideológico que se espalha por vários países, é uma ferida para toda a Europa".
L'uccisione del giovane Quentin Deranque in Francia è un fatto che sconvolge e addolora profondamente.
La morte di un ragazzo poco più che ventenne, aggredito da gruppi riconducibili all'estremismo di sinistra e travolto da un clima di odio ideologico che attraversa diverse… pic.twitter.com/F7vzDhT9X8
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) February 18, 2026
O embaixador dos EUA na França, que assumiu o cargo no meio do ano passado, já havia sido convocado ao Ministério das Relações Exteriores no final de agosto, após críticas consideradas inaceitáveis por Paris em relação à "falta de ação suficiente" de Emmanuel Macron contra o antissemitismo.
Com AFP