Trump descarta ação para derrubar regime, mas pede que Cuba "falida" conclua acordo com EUA

O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (16) que Cuba é uma "nação falida" e pressionou Havana a concluir um acordo com os Estados Unidos. Ele descartou uma operação para forçar a mudança do regime cubano, como ocorreu na Venezuela. A Espanha anunciou o envio de ajuda humanitária ao país, que enfrenta uma grave crise energética e econômica agravada pela pressão norte-americana.

17 fev 2026 - 08h05

As declarações de Trump foram feitas a bordo do Air Force One. Questionado se os Estados Unidos derrubariam o governo de Cuba, como Washington fez ao capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, ele respondeu que não acredita que "isso seja necessário".

Moradores circulam de bicicleta nas ruas de Havana, em frente a um cartaz com imagens do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel (à dir.), e de seus antecessores no cargo, Fidel (à esq.) e Raúl Castro, em 16 de fevereiro de 2026.
Moradores circulam de bicicleta nas ruas de Havana, em frente a um cartaz com imagens do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel (à dir.), e de seus antecessores no cargo, Fidel (à esq.) e Raúl Castro, em 16 de fevereiro de 2026.
Foto: © Yamil Lage / AFP / RFI

Cuba enfrenta uma crise energética severa desde o fim do fornecimento de petróleo pela Venezuela e também devido à pressão de Washington para impedir que outros países vendam combustível à ilha.

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Trump admitiu que a escassez de petróleo representa "uma ameaça humanitária".

O país, com 9,6 milhões de habitantes, deixou de receber petróleo de seu principal aliado após a queda de Maduro em uma ação militar norte-americana em Caracas em 3 de janeiro. Havana acusa Washington de "asfixiar" a economia cubana, que está sob embargo dos EUA desde 1962.

Com o agravamento da falta de combustível e dos cortes de energia, o governo cubano anunciou medidas emergenciais, incluindo racionamento de gasolina, redução da jornada nas repartições públicas para quatro dias por semana, ampliação do teletrabalho e adoção de aulas universitárias à distância.

Ajuda humanitária da Espanha

A Espanha anunciou nesta segunda-feira o envio de ajuda humanitária a Cuba. A entrega de alimentos e produtos sanitários de primeira necessidade será feita por intermédio da ONU, segundo o Ministério das Relações Exteriores espanhol, que não detalhou o cronograma nem o valor da assistência.

O anúncio ocorreu após uma reunião em Madri entre os chanceleres José Manuel Albares e Bruno Rodríguez. Eles discutiram a situação em Cuba após o endurecimento do embargo norte-americano. 

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Presidente eleito do Chile questiona ajuda chilena a Cuba

O presidente eleito do Chile, o ultradireitista José Antonio Kast, criticou a ajuda econômica que o atual governo pretende enviar a Cuba. Ele afirmou que não concorda com o apoio a um governo que, segundo ele, mantém uma ditadura há mais de 60 anos e coloca o povo cubano em uma situação "degradada e desumana". Kast fez as críticas em coletiva de imprensa na segunda-feira, no sul do Chile, após retornar de férias.

Kast, que assumirá o poder em 11 de março, acrescentou que "qualquer ajuda humanitária tem que passar, necessariamente, pela exigência de democracia, e isso eu não vi".

Na semana passada, o governo do presidente de esquerda Gabriel Boric anunciou que contribuiria com US$ 1 milhão para auxiliar a ilha, por meio do Fundo contra a Fome e a Pobreza da Agência de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento do Unicef.

México, Espanha e Rússia também anunciaram apoio para ajudar Cuba a enfrentar a crise.

Com AFP

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