A polícia britânica prendeu o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor por má conduta em cargo público. A prisão aconteceu no âmbito das investigações do envolvimento dele com Jeffrey Epstein, que apontam trocas e e-mails e encontros, além de suspeitas de abuso sexual de menores de idade.
O ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor foi preso nesta quinta-feira, 19, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público, segundo informou a polícia britânica. Ele está sob custódia, e agentes realizaram buscas em endereços ligados a ele nas regiões de Berkshire e Norfolk. A prisão, feita no dia do aniversário de Andrew, aconteceu no contexto das investigações relacionadas ao financista americano Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Andrew, que sempre negou irregularidades, é irmão do rei Charles III e filho da falecida Elizabeth II. Ele já havia sido afastado das funções públicas em 2019, após a repercussão de sua amizade com Epstein, e perdeu títulos e honrarias militares nos anos seguintes. Em outubro do ano passado, Charles III determinou a retirada definitiva de seus títulos e a saída da residência Royal Lodge.
Fotos na mansão e e-mails revelados
A relação entre Andrew e Epstein passou a ser questionada após a divulgação, em 2010, de fotos do então príncipe na mansão do empresário em Nova York. As imagens vieram à tona dois anos depois de Epstein ter se declarado culpado por aliciar uma menor de idade na Flórida. Andrew afirmou ter encerrado a amizade naquele ano, mas documentos divulgados posteriormente indicam que o contato pode ter continuado.
Entre os materiais tornados públicos estão e-mails trocados em agosto de 2010 entre Epstein e alguém identificado como “O Duque”, supostamente Andrew. Nas mensagens, Epstein sugere apresentar ao britânico uma mulher russa de 26 anos. O então príncipe responde que ficaria “encantado em vê-la” e pede mais informações. Outras trocas mencionam um jantar no Palácio de Buckingham, descrito como um local com “muita privacidade”. As mensagens não mostram ilegalidades, mas reforçam a proximidade entre os dois após a condenação de Epstein.
Mais recentemente, o governo dos Estados Unidos divulgou novas fotos atribuídas a Andrew em meio a milhões de arquivos ligados às investigações do caso. Em uma das imagens, ele aparece de quatro sobre uma mulher não identificada, totalmente vestida, tocando sua lateral. O contexto das fotos não foi esclarecido pelas autoridades americanas.
Acusações
O nome de Andrew também foi associado às acusações feitas por Virginia Giuffre, que afirmou ter sido abusada sexualmente por ele em 2001, quando tinha 17 anos. Segundo Giuffre, os encontros teriam ocorrido em Londres, Nova York e na ilha particular de Epstein no Caribe. Andrew negou as acusações, mas fechou um acordo extrajudicial com a americana em 2022, encerrando o processo civil nos Estados Unidos. Giuffre morreu aos 41 anos em abril de 2025, na Austrália.
Documentos do Departamento de Justiça americano apontaram que Andrew poderia ter sido “testemunha e/ou participante” de eventos relevantes para a investigação e sugeriram que ele tinha conhecimento das atividades de Ghislaine Maxwell, condenada por recrutar menores para o esquema.
Além das acusações de natureza sexual, surgiram indícios de que Andrew teria compartilhado informações sensíveis e relatórios confidenciais com Epstein enquanto atuava como enviado comercial britânico na Ásia, em 2010 e 2011. Essas suspeitas de má conduta no exercício de função pública são parte central da investigação que levou à prisão anunciada nesta quinta-feira.
Crise na realeza
A crise envolvendo Andrew provocou uma série de punições institucionais. Em 2022, Elizabeth II retirou seus títulos militares e patronatos. Com a ascensão de Charles III, a situação se agravou. No ano passado, o rei determinou a remoção dos títulos de duque de York, príncipe e alteza real, além de ordenar que o irmão deixasse a residência oficial.
A família real britânica enfrenta pressão desde a divulgação de documentos ligados ao caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O príncipe William e a princesa Kate Middleton declararam estar “profundamente preocupados” com as revelações.
Andrew nega qualquer irregularidade relacionada a Epstein. Ele também sempre rejeitou as acusações de agressão sexual.