A Polícia do Vale do Tâmisa, onde fica a residência Royal Lodge, na qual Andrew morou durante anos, confirmou a prisão do irmão do rei Charles III em um comunicado.
Na terça-feira (17), os investigadores haviam indicado que estavam "avaliando" informações que sugerem que Andrew repassou dados potencialmente confidenciais ao criminoso sexual americano Jeffrey Epstein enquanto era o enviado do Reino Unido para o comércio internacional, entre 2001 e 2011.
O ex-príncipe, acusado de agressão sexual pela americana Virginia Giuffre - que cometeu suicídio em abril de 2025 -, teve seus títulos reais cassados em outubro por seus laços com o financista americano. Ele sempre negou qualquer irregularidade.
Na semana passada, o rei Charles III expressou sua preocupação após as novas revelações sobre seu irmão e indicou que o Palácio de Buckingham estava pronto para "apoiar" a investigação policial, se necessário.
Polícia faz apelo por testemunhas
Na quarta-feira (18), a polícia britânica fez um apelo por testemunhas em relação a alegações de tráfico humano e abuso sexual de menores na década de 1990, mencionadas em arquivos relacionados a Epstein.
Em um comunicado, a Polícia de Surrey (sudeste da Inglaterra) disse ter "tomado conhecimento" de um relatório do FBI com trechos censurados contendo suspeitas de "tráfico humano e abuso sexual de menores" entre 1994 e 1996, na localidade de Virginia Water.
As autoridades apelaram para que qualquer pessoa com informações se apresentasse, dizendo que "não encontraram nenhum registro desses fatos" em seus arquivos, devido à limitação de informações. Nenhum nome foi mencionado, mas, de acordo com a imprensa britânica, os nomes do ex-príncipe Andrew e da parceira e cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, aparecem no relatório.
Conforme relatos, as acusações foram feitas por uma testemunha anônima que afirmou que uma mulher foi amarrada a uma mesa e "torturada com choques elétricos", enquanto o príncipe e outros homens assistiam.
Este relatório foi divulgado em dezembro com a publicação do primeiro lote de documentos relacionados ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA, um caso que teve repercussões globais.
Voos levavam mulheres a Londres
Diversas forças policiais britânicas estão atualmente examinando as acusações contidas nesses novos arquivos ou revelações que surgiram desde a sua divulgação. A polícia do Vale do Tâmisa está investigando, em particular, suspeitas de que Andrew teve relações sexuais com uma segunda mulher enviada por Epstein em 2010, conforme relatado pelo advogado dessa suposta vítima.
Outras forças policiais também examinam o possível papel de Andrew na chegada de voos ao Reino Unido transportando mulheres enviadas por Epstein. Esta investigação é conduzida pela Polícia de Essex, no nordeste de Londres, onde o aeroporto está localizado.
Na semana passada, o ex-primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown pediu para os investigadores "revisarem urgentemente" as investigações sobre o caso, alegando ter sido "informado em particular de que as investigações sobre o ex-príncipe Andrew não examinaram adequadamente evidências importantes sobre os voos".
Segundo uma investigação da BBC publicada em dezembro, aproximadamente 90 voos ligados ao criminoso sexual americano pousaram e decolaram de aeroportos britânicos entre o início da década de 1990 e 2018, alguns transportando mulheres que afirmaram ter sido abusadas por Epstein, morto na prisão em 2019.
Com AFP