O levantamento, realizado ao longo de seis dias e concluído em 3 de agosto, ocorre em meio ao aumento da pressão judicial sobre empresas como Meta, que controla o Facebook e o Instagram, e o YouTube, do Google, por sua atuação junto ao público jovem. A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada online com 4.505 adultos americanos e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Um julgamento deve começar na quarta-feira em decorrência de acusações apresentadas por procuradores de vários estados americanos contra a Meta. Segundo eles, a empresa teria desenvolvido seus produtos para gerar dependência entre usuários jovens.
A Meta nega as acusações e afirma que poderá ser condenada ao pagamento de até US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,6 trilhões) em multas caso os estados obtenham vitória na Justiça. Na semana passada, um tribunal do Novo México determinou que a Meta pague US$ 567 milhões (R$ 3,06 bilhões) e altere o funcionamento de suas plataformas para usuários menores de idade no estado, após considerar que a empresa prejudicou a saúde mental de jovens.
Mais de uma dezena de estados americanos já aprovaram leis para regular o acesso de menores às redes sociais, argumentando que a medida é necessária para reforçar a segurança online. A NetChoice, organização financiada por empresas como Meta, TikTok e Snap, entrou na Justiça para derrubar leis que obrigam aplicativos a verificar a idade dos usuários. Segundo o grupo, essas normas violam garantias de liberdade de expressão.
Cerca de 61% dos entrevistados, sendo 71% dos que se identificam como democratas e 62% dos republicanos, afirmaram que as empresas de redes sociais deveriam estar sujeitas a fiscalização mais rigorosa. A pesquisa também aponta que 66% apoiam leis que obriguem as plataformas a utilizar sistemas de verificação de idade para impedir o acesso de menores de 16 anos.
EUA não têm lei que protege menores nas redes
Até o momento, o Congresso dos Estados Unidos não aprovou nenhuma lei federal destinada a proteger crianças nas redes sociais. Na França, o Parlamento aprovou definitivamente no mês passado uma lei que proíbe o uso de redes sociais por menores de 15 anos, medida inédita na Europa e prevista para entrar em vigor no próximo ano letivo.
Em maio, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a União Europeia trabalha em uma regulamentação destinada a limitar os modelos de negócios das redes sociais para proteger menores de idade.
Segundo a pesquisa Reuters/Ipsos, 85% dos americanos acreditam que as redes sociais podem causar dependência em crianças, e percentual semelhante avalia que seu uso pode prejudicar a saúde mental dos jovens.
Apesar das preocupações, os americanos também demonstram "apego" às plataformas. Cerca de 70% afirmam sentir prazer ao passar tempo nas redes sociais, enquanto apenas 35% dizem que elas lhes causam estresse. As opiniões se dividem quanto ao uso excessivo: 52% acreditam passar tempo demais nas redes sociais diariamente, contra 43% que não compartilham dessa avaliação.
Com agências