Maioria dos americanos defende maior controle sobre empresas de redes sociais, mostra pesquisa

A maioria dos americanos apoia o fortalecimento da regulamentação das plataformas de redes sociais, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos. Os entrevistados defendem especialmente a adoção obrigatória de ferramentas de verificação de idade para impedir o acesso de crianças às plataformas.

9 ago 2026 - 15h22

O levantamento, realizado ao longo de seis dias e concluído em 3 de agosto, ocorre em meio ao aumento da pressão judicial sobre empresas como Meta, que controla o Facebook e o Instagram, e o YouTube, do Google, por sua atuação junto ao público jovem. A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada online com 4.505 adultos americanos e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Pesquisa mostra que americanos apoiam maior controle sobre empresas das redes sociais
Pesquisa mostra que americanos apoiam maior controle sobre empresas das redes sociais
Foto: © GettyImages-1585619136 / RFI

Um julgamento deve começar na quarta-feira em decorrência de acusações apresentadas por procuradores de vários estados americanos contra a Meta. Segundo eles, a empresa teria desenvolvido seus produtos para gerar dependência entre usuários jovens.

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A Meta nega as acusações e afirma que poderá ser condenada ao pagamento de até US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,6 trilhões) em multas caso os estados obtenham vitória na Justiça. Na semana passada, um tribunal do Novo México determinou que a Meta pague US$ 567 milhões (R$ 3,06 bilhões) e altere o funcionamento de suas plataformas para usuários menores de idade no estado, após considerar que a empresa prejudicou a saúde mental de jovens.

Mais de uma dezena de estados americanos já aprovaram leis para regular o acesso de menores às redes sociais, argumentando que a medida é necessária para reforçar a segurança online. A NetChoice, organização financiada por empresas como Meta, TikTok e Snap, entrou na Justiça para derrubar leis que obrigam aplicativos a verificar a idade dos usuários. Segundo o grupo, essas normas violam garantias de liberdade de expressão.

Cerca de 61% dos entrevistados, sendo 71% dos que se identificam como democratas e 62% dos republicanos, afirmaram que as empresas de redes sociais deveriam estar sujeitas a fiscalização mais rigorosa. A pesquisa também aponta que 66% apoiam leis que obriguem as plataformas a utilizar sistemas de verificação de idade para impedir o acesso de menores de 16 anos.

EUA não têm lei que protege menores nas redes

Até o momento, o Congresso dos Estados Unidos não aprovou nenhuma lei federal destinada a proteger crianças nas redes sociais. Na França, o Parlamento aprovou definitivamente no mês passado uma lei que proíbe o uso de redes sociais por menores de 15 anos, medida inédita na Europa e prevista para entrar em vigor no próximo ano letivo.

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Em maio, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a União Europeia trabalha em uma regulamentação destinada a limitar os modelos de negócios das redes sociais para proteger menores de idade.

Segundo a pesquisa Reuters/Ipsos, 85% dos americanos acreditam que as redes sociais podem causar dependência em crianças, e percentual semelhante avalia que seu uso pode prejudicar a saúde mental dos jovens.

Apesar das preocupações, os americanos também demonstram "apego" às plataformas. Cerca de 70% afirmam sentir prazer ao passar tempo nas redes sociais, enquanto apenas 35% dizem que elas lhes causam estresse. As opiniões se dividem quanto ao uso excessivo: 52% acreditam passar tempo demais nas redes sociais diariamente, contra 43% que não compartilham dessa avaliação. 

Com agências

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