Quentin Deranque, católico integrista e ultranacionalista de 23 anos, morreu no último sábado (14) após um confronto com um grupo rival. Os suspeitos — oito homens e três mulheres — estão sendo investigados por homicídio doloso, violência agravada e associação criminosa. Eles pertencem ou são próximos do movimento antifascista La Jeune Garde, fundado pelo deputado do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), Raphaël Arnault.
A revista francesa Nouvel Obs traz uma entrevista com o jornalista e escritor Sébastien Bourdon, autor do livro Une vie de lutte plutôt qu'une minute de silence. Enquête sur les antifas (Uma vida de luta, em vez de um minuto de silêncio. Investigação sobre os antifascistas, em tradução livre).
O autor explica que o La Jeune Garde surgiu em 2018 em Lyon, cidade onde a extrema direita radical se implantou e ganhou força nos últimos vinte anos. Segundo ele, embora tenha nascido como reação ao ultranacionalismo, essa corrente antifascista tende a não limitar seu combate à extrema direita, atuando também contra a violência policial, em defesa de pessoas exiladas e contra a islamofobia.
Para Bourdon, a recente dissolução de movimentos de extrema direita na França levou seus membros a se unirem para realizar ações violentas, muitas delas em confrontos diretos com antifascistas. Ainda segundo ele, o recurso à violência é raro no movimento, que se diferencia do militante "clássico" justamente por "assumir a possibilidade de recorrer à violência".
Segundo o jornalista, grande parte do trabalho se concentra em manifestações e na distribuição de panfletos. No caso da extrema direita, a violência também aparece em agressões racistas e homofóbicas, além de ameaças de atentados terroristas.
Aumento de tensões políticas na Itália
A revista L'Express destaca que Roma também enfrenta uma onda de violência política, que levou o governo de Giorgia Meloni a adotar medidas inéditas. Após uma grande manifestação em Turim contra o fechamento de um centro ligado ao movimento anarquista, em 31 de janeiro, confrontos violentos deixaram dezenas de policiais feridos, gerando forte repercussão nacional.
Segundo dados da Europol, 18 dos 21 ataques classificados como terrorismo de esquerda ou anarquista na União Europeia em 2024 ocorreram na Itália. Diante desse cenário, o governo italiano reforçou seu discurso de segurança pública, e lembrou o risco de um retorno aos "anos de chumbo", período marcado por violência política extrema no país.
Como resposta, anunciou um decreto-lei com medidas mais rigorosas, incluindo maior proteção às forças policiais, punições mais duras para a violência política e novas regras voltadas a grupos juvenis, como restrições à venda de facas para menores e multas para os pais.
Uma das medidas mais controversas permitiria à polícia deter preventivamente, por até 12 horas, pessoas suspeitas de causar distúrbios antes de manifestações. Especialistas alertam que essa proposta pode ser considerada inconstitucional e violar direitos fundamentais, já que prevê restrição de liberdade sem que um crime tenha sido de fato cometido. O texto destaca que iniciativas desse tipo refletem uma tendência mais ampla na Europa de ampliar políticas de segurança diante do aumento das tensões políticas.