Após ser libertado, ex-príncipe Andrew continua sob investigação por ligações com Epstein

A prisão do ex-príncipe Andrew, na quinta-feira (19), suscita uma onda de choque no Reino Unido. Apesar de libertado horas depois da detenção, a polícia do Reino Unido informou que o irmão do rei Charles III segue sob investigação.

20 fev 2026 - 07h20
(atualizado às 07h32)

O terceiro filho da rainha Elizabeth II foi preso em meio às investigações sobre seus vínculos com o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein. O caso tem forte repercussão em toda a Europa.  

Andrew Mountbatten Windsor, irmão mais novo do rei Carlos da Grã-Bretanha, anteriormente conhecido como príncipe Andrew, deixa a delegacia de polícia de Aylsham em um veículo, no dia em que foi preso sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar mais registros relacionados ao falecido financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, em Aylsham, Grã-Bretanha, em 19 de fevereiro de 2026.
Andrew Mountbatten Windsor, irmão mais novo do rei Carlos da Grã-Bretanha, anteriormente conhecido como príncipe Andrew, deixa a delegacia de polícia de Aylsham em um veículo, no dia em que foi preso sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar mais registros relacionados ao falecido financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, em Aylsham, Grã-Bretanha, em 19 de fevereiro de 2026.
Foto: REUTERS - Phil Noble / RFI

"Andrew, o príncipe das trevas" é a manchete do jornal Le Parisien, que estampa na capa uma foto de página inteira do irmão do rei Charles. O diário lembra que o ex-príncipe Andrew foi detido no dia de seu aniversário de 66 anos, suscitando uma "onda de choque" no Reino Unido.

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A prisão, sem precedentes na história da família real britânica, ocorreu por suspeita de conduta indevida no exercício de um cargo público, na época em que Andrew era representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. Entre 2001 e 2011, ele teria repassado a Epstein informações potencialmente confidenciais, crime passível de prisão perpétua.

O jornal Libération destaca que a atual residência do príncipe, em Sandringham, foi vasculhada pela polícia, bem como a antiga propriedade de 30 quartos que ocupava em Windsor. Ele foi obrigado a deixar recentemente essa mansão de Royal Lodge, depois da divulgação de novos documentos do caso Epstein.

Suspeitas antigas

A matéria também lembra que as suspeitas sobre Andrew não são novas. Em 2011, os supostos vínculos do irmão do rei Charles III com Epstein já o haviam levado a renunciar do prestigioso cargo de representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. No ano passado, perdeu seus títulos reais após ter sido processado por uma das vítimas de Epstein, Virginia Giuffre.  

A prisão sacode o Reino Unido, diz o jornal Le Figaro, salientando que nunca, na história da família real britânica, um de seus integrantes foi detido, nem mesmo a princesa Anne, multada em 2002 porque seu cachorro mordeu duas crianças. O diário ressalta que o rei Charles III não foi advertido com antecedência da prisão do irmão, mas, apoiou a ação dos policiais e da Justiça. Já o primeiro‑ministro Keir Starmer declarou que "ninguém está acima da lei". 

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Andrew deixou a delegacia na noite de quinta-feira, "aguardando o andamento da investigação", informou em comunicado a polícia de Windsor. Segundo a legislação do Reino Unido, ele poderia permanecer detido por 24 horas sem acusação. Após este prazo, a polícia teria que solicitar aos tribunais uma prorrogação.

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