O estudante de 23 anos foi violentamente agredido por indivíduos encapuzados no dia 12 de fevereiro, à margem de uma conferência da eurodeputada do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), Rima Hassan. Ele morreu no sábado, dois dias depois do ataque. Onze pessoas foram presas no âmbito da investigação.
Na noite desta sexta-feira, uma marcha está prevista em Nice, litoral sul, organizada pelo grupo de extrema direita Aquila Popularis. Também nesta noite, ocorre um ato em Le Mans, no oeste do país, sob o slogan "Justiça para Quentin". O prefeito local autorizou o protesto, mas proibiu qualquer contra-manifestação.
No sábado (21), dois atos estão marcados em duas cidades da Bretanha (noroeste), Quimperlé e Brest, ambos convocados pelo partido Reconquête (Reconquista), de extrema direita, de Éric Zemmour. Em Rennes, também na Bretanha, uma homenagem a Quentin Deranque foi autorizada pela Prefeitura, assim como uma contra-manifestação organizada por grupos antifascistas. No domingo, outra homenagem em Estrasburgo (leste) está autorizada, em frente ao Instituto de Estudos Políticos.
Jordan Bardella, presidente do partido Reunião Nacional (RN), também de extrema direita, orientou os integrantes do partido a não participarem desses atos. Diversas manifestações foram proibidas por prefeituras em diferentes regiões do país.
Reações internacionais
Seis dias após a morte de Quentin Deranque, representantes do governo de Donald Trump condenaram, nesta sexta-feira (20), a violência política na França: "Quando você decide matar pessoas por suas opiniões em vez de persuadi-las, você opta por sair da civilização", escreveu no X a subsecretária de Estado para diplomacia pública, Sarah Rogers, destacando que os Estados Unidos acompanham o caso "de perto".
Ela compartilhou uma publicação do Escritório de Combate ao Terrorismo, ligado ao Departamento de Estado americano, que afirmou que "o extremismo violento de esquerda está em ascensão" e que o envolvimento desses grupos na morte de Quentin Deranque demonstra a ameaça que representam para a segurança pública. Sarah Rogers também conduz, em nome do governo americano, a ofensiva contra aquilo que Washington caracteriza como violações à liberdade de expressão na Europa.
Na quinta-feira (19), o presidente francês Emmanuel Macron criticou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pedindo que ela "pare de comentar o que acontece nos outros países", após declarações da dirigente de Roma sobre a morte do militante nacionalista.
Meloni havia escrito no X que a morte do jovem atacado por grupos ligados ao extremismo de esquerda, em um contexto de ódio ideológico que se espalha por vários países, "é uma ferida para toda a Europa".
RFI com agências