Após assalto ao Louvre, França avalia liberar entrada gratuita de policiais armados em museus

Policiais franceses poderão, em breve, ter entrada gratuita em museus, desde que portem suas armas de serviço. A medida é uma das 24 recomendações que integram o relatório da missão parlamentar criada após o assalto ao Louvre, há quatro meses, apresentado nesta sexta-feira (20) ao Ministério da Cultura da França.

20 fev 2026 - 13h35

Dentre os 24 pontos reunidos no documento, um dos que mais chama a atenção é o acesso gratuito de agentes da polícia armados aos museus. A iniciativa se inspira em um dispositivo já aplicado nos trens desde 2022, fruto de um acordo entre a SNCF, a operadora estatal dos trens, e o Ministério do Interior, que permite o deslocamento gratuito de policiais armados nos trajetos casa-trabalho.

O responsável pelo relatório, o deputado francês Christophe Marion, afirma que ainda há "vulnerabilidades praticamente em todos os lugares", incluindo museus nacionais, instituições administradas por coletividades territoriais e museus associativos. "É uma questão nacional", afirmou o parlamentar nesta manhã de sexta-feira à rádio Franceinfo.

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Para o deputado, responsável pelo relatório que visa um plano para reforçar a segurança das coleções públicas entregue à ministra da Cultura, Rachida Dati, ainda existem "vulnerabilidades praticamente em todos os lugares", citando os museus nacionais, museus regionais e também museus associativos. "É uma questão nacional", destacou.

"Plano coordenado" para securizar museus

Segundo o parlamentar, embora o número de furtos e arrombamentos em museus não tenha aumentado de forma significativa, os métodos utilizados estão mais violentos. Ele destaca que o foco dos criminosos também mudou: "Antes se procuravam obras de arte para venda no mercado negro. Hoje, o alvo costuma ser metais preciosos que podem ser derretidos e vendidos por quilo", explica Christophe Marion. 

O relatório também recomenda a criação de "um plano coordenado" envolvendo diversos ministérios e o Secretariado-Geral de Defesa e Segurança Nacional, que deveria ser avaliado anualmente pelo Conselho de Defesa, com a presença do presidente da República e do primeiro-ministro.

Entre as medidas sugeridas, está a melhoria da formação dos agentes de recepção e vigilância dos museus, para que, além de proteger os visitantes em caso de intrusão, possam intervir em situações mais complexas. 

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O parecer parlamentar ainda alerta para o aumento de ciberataques contra museus. Em 2025, foram registrados 138 incidentes, o dobro do ano anterior. O temor é que criminosos desativem sistemas de vigilância antes de invadir os estabelecimentos, explicou Marion, deputado da coalizão Ensemble, fundada pelo presidente Emmanuel Macron.

RFI com FranceInfo

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