Marcha em Lyon, França, pede justiça após morte a pancadas de militante de ultradireita

Mais de 3.000 pessoas tomaram as ruas de Lyon (centro leste da França), neste sábado (21), carregando retratos de Quentin Deranque, um jovem militante de extrema direita radical de 23 anos que foi espancado até a morte por membros da ultraesquerda. A manifestação ocorreu sob forte vigilância policial, em meio a um clima de alta tensão política provocado pelo caso.

22 fev 2026 - 06h03

Embora o ato tenha avançado calmamente, as autoridades registraram pelo menos uma detenção por porte de armas e anunciaram que levarão à justiça flagrantes de saudações nazistas, além de insultos racistas e homofóbicos capturados em vídeo.

Ato lembra Quentin Deranque, jovem de ultradireita morto a pancadas por radicais de esquerda; Lyon, 21 de fevereiro de 2026.
Ato lembra Quentin Deranque, jovem de ultradireita morto a pancadas por radicais de esquerda; Lyon, 21 de fevereiro de 2026.
Foto: REUTERS - Nicolas Economou / RFI

O crime ocorreu em 12 de fevereiro, à margem de uma conferência da eurodeputada Rima Hassan, do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI). Deranque estava no local para garantir a segurança de integrantes do coletivo Nemesis quando foi alvo de um golpes por manifestantes de esquerda.

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Até o momento, sete suspeitos foram indiciados, seis por homicídio doloso e um por cumplicidade. Entre os envolvidos, três são próximos de um deputado da LFI, incluindo um assistente do parlamentar Raphaël Arnault, o que aumentou a pressão sobre a legenda às vésperas das eleições municipais de março.

A marcha deste sábado, que reuniu entre 3.200 e 3.500 participantes, contou com a presença de lideranças identitárias que criticaram o "sistema" e a "violência antifascista".

"Capital da ultradireita"

Políticos locais, como o prefeito de Lyon, Grégory Doucet, defenderam a proibição do ato para evitar que a cidade se tornasse a "capital da ultradireita", mas o ministério do Interior permitiu a mobilização em nome da liberdade de expressão.

O presidente Emmanuel Macron fez um apelo geral à calma e anunciou que o governo se reunirá na próxima semana para discutir medidas contra "grupos de ação violenta".

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Enquanto isso, a oposição se divide: Jordan Bardella, do Reunião Nacional (RN), criticou a responsabilidade moral do governo na explosão da violência de extrema esquerda, mas buscou distanciar seu partido das organizações de ultradireita presentes no ato.

O caso também ganhou repercussão internacional, com condenações à violência de extrema esquerda por parte da administração de Donald Trump e da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.

com AFP

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