Ataques russos deixam milhares sem eletricidade na Ucrânia; trégua em Olechky termina neste domingo

Centenas de milhares de residências ficaram sem eletricidade neste domingo (1º) na Ucrânia após a Rússia atingir infraestruturas energéticas em quatro regiões do país durante a madrugada, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky.

1 nov 2026 - 12h02
Resumo
Sob intensos bombardeios russos que cortaram a eletricidade de milhares, a Ucrânia cobra o envio de mísseis interceptadores Patriot dos Estados Unidos. O atraso na entrega e os ataques ucranianos a refinarias russas ampliam as tensões com Donald Trump. Paralelamente, encerra-se neste domingo a trégua temporária em Olechky, usada para evacuar civis, em meio a expectativas de retomada dos combates e a planos de conversas de paz trilaterais entre Moscou, Kiev e Washington.

Emmanuelle Chaze, enviada especial à Ucrânia, com agências

A Ucrânia tenta obter mais interceptadores para conter os ataques russos. O sistema Patriot, desenvolvido pelos Estados Unidos, é considerado a arma mais eficaz para neutralizar mísseis balísticos de alta velocidade. "A intensidade dos ataques é muito elevada, e os russos buscam explorar ao máximo a escassez de interceptadores de mísseis balísticos", escreveu Zelensky no Telegram.

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Segundo o líder ucraniano, o país aguarda há quase um mês a aprovação dos Estados Unidos para a entrega desses equipamentos. Os atrasos agravaram as tensões entre Ucrânia e Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar um acordo sobre diesel com a Rússia. Trump criticou Zelensky pela recusa da Ucrânia em interromper os ataques contra refinarias russas. 

Sobre as negociações de paz entre russos e ucranianos, Yuri Ushakov, assessor do Kremlin citado pela agência Interfax, declarou no domingo que a próxima rodada de conversas deverá ocorrer inicialmente em formato trilateral, envolvendo Moscou, Kiev e Washington. "Mantemos contatos de trabalho com os americanos. Portanto, é lógico que, ao menos nas primeiras rodadas de negociações, elas ocorram em formato trilateral", respondeu Yuri Ushakov, questionado sobre a eventual participação de países europeus nas negociações. 

Uma mulher caminha pelas ruas de Olechky, submetida a um cessar-fogo desde as 3h da manhã desta terça-feira, 27 de outubro de 2026.
Uma mulher caminha pelas ruas de Olechky, submetida a um cessar-fogo desde as 3h da manhã desta terça-feira, 27 de outubro de 2026.
Foto: RFI

Trégua em Olechky termina neste domingo 

A trégua iniciada na terça-feira (27) para permitir a evacuação de moradores de Olechky, cidade ocupada pela Rússia no sul da Ucrânia, deve terminar na noite deste domingo (1º). O acordo, o mais longo cessar-fogo desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, possibilitou que civis deixassem a região, situada na linha de frente da guerra, marcada por minas terrestres, escassez de suprimentos e ataques constantes de drones. 

Dasha, de 16 anos, sua irmã, Lisa, de 19, e a mãe, Yana, deixaram Olechky em 2024 e, desde então, não viam o pai. "Um dia, ele nos contou que os russos quase o mataram, que apontaram metralhadoras para a sua cabeça", relata Dasha. "Ele só nos revelou os detalhes três meses depois, dizendo que estava tudo bem e que não precisávamos nos preocupar."

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Como muitos moradores de Olechky, quando a família deixou a cidade ocupada, o pai decidiu permanecer em casa com seus animais, apesar das condições precárias. Ele sobreviveu durante esses anos sob bombardeios diários e com acesso esporádico à eletricidade, graças à energia solar e a um pequeno gerador.

Dasha, Lisa e a mãe, Yana, abraçam o pai da família, que retornou da cidade de Olechky, ocupada pela Rússia, em 31 de outubro de 2026.
Foto: RFI

A trégua também trouxe alívio para moradores da cidade de Kherson, na margem oposta do rio Dnipro, mas militares afirmam que os combates devem ser retomados imediatamente após a pausa. Segundo uma fonte militar ucraniana, as forças russas aproveitaram o cessar-fogo para reforçar tropas, reabastecer munições e coletar informações sobre posições inimigas. 

Segundo autoridades instaladas por Moscou na região, houve mortes em ataques ucranianos em Lugansk, além de danos a uma grande refinaria na região russa de Níjni Novgorod. A ofensiva contra instalações petrolíferas russas é um dos pontos de divergência com os Estados Unidos.

O presidente Donald Trump voltou a exigir que Kiev interrompa essas ações, alegando que elas contribuem para a alta dos preços dos combustíveis. Ao mesmo tempo, os esforços diplomáticos conduzidos por Washington para encerrar a guerra permanecem paralisados, sem avanços concretos nas negociações entre Rússia e Ucrânia. 

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Com agências

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