Protestos liderados pelo movimento jovem "Gen Z regelt" reuniram cerca de 120 mil pessoas na Alemanha contra o custo de vida e a precariedade do ensino. Apesar do caráter pacífico inicial, atos de vandalismo em cidades como Berlim e Frankfurt deixaram mais de cem policiais feridos e dezenas de detidos. O governo prometeu punições severas aos responsáveis pela violência, enquanto líderes partidários de esquerda e ambientalistas defenderam que as demandas legítimas da juventude sejam ouvidas.
O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, afirmou neste domingo que os responsáveis pelos atos serão identificados e punidos. "Esse ataque à ordem pública deve resultar em penas severas", declarou. Mais de cem policiais ficaram feridos nos confrontos com os manifestantes, de acordo com as autoridades alemãs.
As mobilizações foram impulsionadas pelo movimento "Gen Z regelt" ("Geração Z no comando", em alemão), que, a exemplo do movimento estudantil francês, reivindica melhores condições de ensino e medidas para conter o aumento do custo de vida.
Dobrindt acusou grupos de extrema esquerda e integrantes da comunidade imigrante de terem transformado manifestações pacíficas em episódios de violência, mas a a maioria dos detidos é de nacionalidade alemã, segundo as autoridades.
Segundo o ministro do Interior do estado de Hesse, Roman Poseck, grupos encapuzados danificaram 17 lojas em Frankfurt, das quais cinco foram saqueadas. Ao todo, 1.300 policiais foram mobilizados, e 54 pessoas entre 13 e 29 anos foram presas.
"Estou chocado com o que vi. Não há motivo para minimizar os fatos. Isso não pode continuar assim", afirmou o ministro. Poseck disse que a polícia estima ter enfrentado entre 1.000 e 1.500 manifestantes violentos. Os distúrbios incluíram quebra de vitrines e lançamento de coquetéis molotov contra equipes de emergência. O ministro também afirmou que "cenas de violência como as vistas em Paris" foram evitadas graças à atuação das forças de segurança alemãs.
Partidos defendem reivindicações
Líderes dos Verdes e da esquerda radical insistiram na necessidade de responder às preocupações dos cerca de 120 mil manifestantes que saíram às ruas do país para denunciar a precariedade das escolas, a alta do custo de vida, a possível reintrodução do serviço militar e o aquecimento global.
"A crise do poder de compra, o desmonte das políticas sociais e a ampla vontade de se manifestar pacificamente desaparecerão porque pequenos grupos de pessoas "frustradas" cometeram atos de vandalismo depois dos protestos", afirmou ao jornal Rheinische Post a presidente do Die Linke (esquerda radical), Ines Schwerdtner.
A líder dos Verdes, Franziska Brantner, condenou os excessos, que, segundo ela, "prejudicam a causa legítima das muitas pessoas que se manifestaram pacificamente", mas também pediu ao governo que responda à mensagem "mais do que clara" enviada pela juventude.
Tumulto em Berlim
No sábado, as manifestações organizadas em dezenas de cidades ocorreram de forma majoritariamente pacífica antes de tensões surgirem à noite. Também houve episódios de violência em outras cidades alemãs, como Colônia, no oeste do país, e Hamburgo, no norte.
Em Berlim, as autoridades relataram "numerosos delitos" que levaram à detenção de 56 pessoas e deixaram 27 policiais levemente feridos. A copresidente do partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha) apontou, na rede X, o "extremismo de esquerda" e uma "imigração sem controle" como responsáveis pelos distúrbios.
Em uma publicação no Instagram, o coletivo "GenZ regelt" afirmou que se distancia "explicitamente de qualquer forma de violência". Em seu site, o grupo convocou uma nova mobilização para 14 de novembro no fim da manhã, mas apagou a mensagem algumas horas depois.
Com agências