Christa Pike relata dores e lamenta incompetência em sua execução: 'Não sei por que sobrevivi'

Pike sobreviveu a injeções letais realizadas pelo Estado do Tennessee em 30 de setembro, referente ao assassinato de sua colega Colleen Slemmer, em 1995. Ela divulgou uma primeira declaração pública nesta sexta, 30

30 out 2026 - 11h45
Resumo
Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee e relatou sofrer dores constantes, físicas e psicológicas. Condenada por um assassinato em 1995, ela sobreviveu a doses de pentobarbital devido a possíveis falhas na aplicação. Diante da incompetência apontada no procedimento, a defesa pediu a comutação da pena para prisão perpétua, enquanto o governador do estado suspendeu novas execuções e abriu investigação para apurar as causas do ocorrido.
Christa Pike. Pike, de 50 anos, segue hospitalizada e sem previsão de recuperação
Christa Pike. Pike, de 50 anos, segue hospitalizada e sem previsão de recuperação
Foto: Reprodução / Estadão

Christa Pike afirmou que sente dores constantes desde que sobreviveu a uma injeção letal no Tennessee , no mês passado, mas disse estar grata pelo amor e apoio que tem recebido.

Na sexta-feira, Pike divulgou sua primeira declaração pública por meio de seus advogados. Ela relatou que entrou na câmara de execução preparada para morrer em paz, mas acordou sozinha e confusa em uma cama de hospital.

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"Não houve um momento, desde aquela noite, em que eu não tenha sentido dor. Meu corpo dói. Meus braços doem. Minhas mãos doem. Minha garganta dói. Ainda tenho dificuldade para falar. E a dor não é apenas física; há dor em minha mente e em minha alma", disse Pike.

Pike, de 50 anos, afirmou que nunca havia imaginado uma vida além da data prevista para sua execução.

"Sinto-me profundamente ferida pela incompetência que colocou tantas pessoas nesta situação terrível. Continuo pensando na família da minha vítima e na dor e na perda terríveis que eles tiveram de suportar", declarou Pike.

Pike sobreviveu a duas doses de pentobarbital durante a tentativa de execução realizada pelo estado em 30 de setembro, referente ao assassinato — por esfaqueamento — de sua colega Colleen Slemmer, em 1995.

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E tinha 18 anos quando, junto com seu namorado, torturou e matou Slemmer, tornando-se uma das mulheres mais jovens a ser condenada à morte. Ela expressou gratidão aos profissionais de saúde que salvaram sua vida e às pessoas que lhe demonstraram bondade.

"Não sei por que sobrevivi àquela noite. Não sei o que virá a seguir. Em alguns dias, é mais difícil encontrar esperança do que em outros. Por enquanto, estou tentando me recuperar, um dia de cada vez. E me apego ao amor e à bondade de tantas pessoas que me lembraram de que não estou sozinha", disse ela.

Os advogados de Pike solicitaram ao governador do Tennessee, Bill Lee, que a pena de Pike seja comutada para prisão perpétua. "Suponho que a sentença dela permanecerá a mesma, a menos que os tribunais decidam de outra forma".

Lee solicitou uma investigação sobre o que ocorreu durante a execução malsucedida e adiou a outra execução por injeção letal prevista para este ano no estado.

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A declaração de sexta-feira foi ditada por ela à sua equipe jurídica, a partir da enfermaria da unidade prisional onde se encontra.

Pike foi hospitalizada logo após a execução malsucedida e, posteriormente, levada de volta ao presídio, no Centro de Reabilitação Debra K. Johnson.

Execuções suspensas durante análise do caso

O Departamento de Correção do Tennessee não informou o que deu errado na tentativa de execução. O governador Bill Lee suspendeu novas execuções enquanto o caso é analisado. Não está claro se o Estado tentará executar Christa novamente.

Especialistas médicos levantaram hipóteses para explicar a sobrevivência de Christa, incluindo possíveis problemas na qualidade dos medicamentos e no posicionamento das linhas intravenosas, que poderiam ter levado ao acúmulo da substância nos tecidos.

Antes da tentativa de execução, os advogados de Christa informaram aos tribunais e às autoridades penitenciárias que ela tinha uma doença sanguínea que poderia provocar a formação de coágulos nos locais em que as agulhas fossem inseridas./Com informações da AP

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