Donald Trump convidou publicamente o presidente do UFC, Dana White, para assumir o cargo de secretário de imprensa da Casa Branca, vago desde outubro. Em tom combativo, Trump pediu que o aliado levasse lutadores para defendê-lo da oposição após derrotas republicanas nas eleições. White, amigo de longa data do presidente e conhecido por seu histórico de atritos com a imprensa, reagiu de forma enigmática nas redes sociais, deixando incerto se a proposta oficial realmente avançará.
Pelas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, convidou neste sábado (7/11) o presidente do Ultimate Fighting Championship (UFC), Dana White, para ser secretário de imprensa da Casa Branca.
O UFC é hoje a maior organização de artes marciais mistas (modalidade conhecida pela sigla em inglês MMA, de mixed martial arts) do mundo.
"Dana será um secretário de imprensa como nenhum outro. Dana, por favor, aceite o cargo!", escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Não está claro se a oferta de emprego feita pelo presidente americano de forma pública é séria. A BBC pediu um posicionamento à Casa Branca, ao UFC e a seu grupo controlador, a TKO Group Holdings, e até o momento não teve retorno.
A vaga de secretário de imprensa da Casa Branca está aberta desde meados de outubro, quando Katie Zacharia deixou o posto após apenas alguns dias na função.
A publicação de Trump ocorre após uma derrota expressiva de seus correligionários do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato nos EUA, nas quais a sigla perdeu a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado.
Trump descreveu White como um "lutador e guerreiro violento" e pediu que ele levasse consigo como "assistentes" uma lista de lutadores de destaque do UFC, "embora alguns não sejam do nosso país".
"Precisamos dessas pessoas para nos defender contra a esquerda lunática", escreveu Trump no post, ilustrado com as fotos de seis lutadores, entre eles o russo Islam Makhachev.
Após a publicação de Trump, White postou no Instagram uma foto sua atrás da tribuna na sala de coletivas de imprensa da Casa Branca.
"Rumo ao próximo capítulo", dizia o post, embora não estivesse claro se o comentário foi feito em tom de brincadeira.
White, que também é o chefe da Zuffa Boxing, esteve em Londres no sábado para uma luta na Copper Box Arena entre o ex-campeão mundial britânico Chris Billam-Smith e o britânico nascido na Jamaica Cheavon Clarke.
A BBC tenta contato com ele.
Conhecido por seu temperamento combativo, White entrou em conflito por diversas vezes com jornalistas que cobriam o esporte durante coletivas de imprensa.
Em 2020, ele divulgou um vídeo polêmico direcionado a repórteres que questionaram a decisão do UFC de realizar lutas logo no início da pandemia.
Em 2009, publicou um vídeo repleto de palavrões no qual utilizou um termo homofóbico ao rebater uma reportagem sobre mudanças nas regras de credenciamento para os bastidores dos eventos do UFC.
White é um aliado de longa data — e amigo — de Trump.
Quando ele e seus sócios compraram o UFC — organização que, na época, passava por dificuldades — por US$ 2 milhões em 2001, o esporte enfrentava uma forte resistência de ambos os lados do espectro político.
Cinco anos antes, o senador republicano John McCain havia chamado as artes marciais mistas de "rinha humana" — uma declaração que teve grande repercussão e levou à proibição da modalidade em 36 estados americanos.
"Nenhum local queria receber o UFC", disse White à CBS, parceira da BBC nos EUA, em 2025. "Eles não acreditavam no esporte. Não gostavam dele e temiam o tipo de público que apareceria em um evento desse tipo."
Com as grandes arenas fechando as portas para a organização, White atribui a Trump o mérito de ter salvado o UFC ao sediar dois eventos da organização no cassino Trump Taj Mahal, em Atlantic City, Nova Jersey, em 2001.
Neste ano, o UFC promoveu uma série de lutas em um octógono erguido no gramado da Casa Branca.
White fez discursos em diferentes eventos de campanha de Trump, marcando presença nas Convenções Nacionais Republicanas de 2016, 2020 e 2024.