A Ucrânia lançou nesta quinta-feira (18) uma das maiores ofensivas aéreas contra a Rússia desde o início da guerra, bombardeando uma refinaria de petróleo nos arredores de Moscou e forçando o fechamento temporário de todos os aeroportos da capital russa.
Segundo as autoridades locais, as operações de pousos e decolagens foram suspensas por razões de segurança, em meio a série de ataques ucranianos.
O Ministério dos Transportes da Rússia informou que, "atualmente, os aeroportos Sheremetyevo, Vnukovo, Domodedovo e Zhukovsky não estão aceitando ou operando voos.
"As restrições são necessárias para garantir a segurança dos voos. Esta é uma prioridade", declarou a pasta em comunicado publicado no Telegram.
De acordo com o canal russo Shot, 527 voos foram cancelados ou sofreram atrasos nos aeroportos da região de Moscou.
Em meio à ofensiva, o prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin, afirmou que os drones ucranianos também atingiram uma refinaria de petróleo. Segundo ele, as defesas aéreas continuavam atuando contra o que classificou como um "ataque em grande escala".
"Vários drones atingiram a refinaria de Moscou. Medidas estão sendo tomadas para lidar com as consequências", afirmou Sobyanin.
Por sua vez, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que a ação foi uma resposta aos ataques russos contra seu país e afirmou que a refinaria de Moscou foi atingida pela segunda vez na mesma semana.
"Se a Ucrânia queimar, Moscou também queimará", afirmou Zelensky, enfatizando que Kiev continuará reagindo caso o presidente russo, Vladimir Putin, não busque o fim da guerra.
Além disso, o líder ucraniano disse que os ataques tiveram como objetivo mostrar à população russa os impactos da continuidade do conflito. "Se Putin não quer acabar com esta guerra e quer continuá-la, não ficaremos parados assistindo; reagiremos".
Zelensky destacou ainda que "um homem" está "travando esta guerra enquanto pessoas comuns pagam o preço integral".
Em meio à ofensiva, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou continuará realizando "ataques massivos e coordenados" em resposta às ações ucranianas.
"Há muito tempo estou convencido de que palavras não bastam", disse Lavrov, classificando os ataques de Kiev como ações terroristas, segundo a agência russa RIA Novosti.
O conselheiro presidencial russo, Yuri Ushakov, afirmou que os recentes ataques dificultam a possibilidade de uma reunião entre Putin e Zelensky. Segundo ele, os lançamentos de drones "não incentivam contatos pessoais" entre os dois líderes.
Paralelamente, o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, pediu uma resposta "sincera" da Ucrânia sobre um drone que, segundo autoridades locais, teria atingido um ônibus que transportava uma equipe juvenil de futebol de Belarus na região russa de Bryansk.
Segundo relatos divulgados pelas autoridades, uma pessoa morreu e outras seis ficaram feridas, quatro delas menores de idade.
Enquanto o conflito continua, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia espera iniciar novas etapas nas negociações para a adesão da Ucrânia ao bloco durante o verão europeu.
Durante a abertura das negociações, von der Leyen parabenizou Zelensky e afirmou que a Ucrânia e seus parceiros precisam cumprir compromissos mútuos.
Sobre a guerra, a dirigente europeia declarou que "a maré está virando" e afirmou que a Ucrânia atravessa uma fase positiva, apesar da continuidade dos combates.