O papa Leão XIV destacou nesta quinta-feira (18) o legado pastoral e intelectual do cardeal italiano Camillo Ruini, que morreu aos 95 anos no último dia 16 de junho, durante a cerimônia fúnebre realizada na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Figura influente da Igreja Católica no país durante décadas, Ruini teve papel de destaque na Conferência Episcopal Italiana e é considerado um dos principais interlocutores da Santa Sé.
Durante a homilia, o Pontífice recordou que o lema escolhido pelo cardeal para seu episcopado foi "Veritas liberabit nos" ("A verdade nos libertará", em tradução livre), frase inspirada no Evangelho de São João.
Segundo Leão XIV, a expressão resume "a profunda concepção de pessoa que a Igreja ensina" e transmite uma mensagem especialmente atual diante do que classificou como "tendências relativistas e visões totalmente fluidas da realidade e da humanidade".
O Santo Padre também ressaltou a influência de Ruini na Igreja e na sociedade italiana, lembrando iniciativas como o Projeto Cultural, além de sua proximidade e fidelidade ao pontificado de João Paulo II.
"Uma presença ativa e um diálogo constante com o mundo secular também", afirmou Robert Prevost, acrescentando que "a Igreja italiana lhe deve muito".
A celebração de despedida contou com a presença de 34 cardeais concelebrantes e de representantes institucionais, entre eles o subsecretário da Presidência do Conselho dos Ministros, Alfredo Mantovano; a ministra da Família da Itália, Eugenia Roccella; o ex-primeiro-ministro Romano Prodi e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Pier Ferdinando Casini.
Entre os cardeais presentes no altar da Cátedra estavam Matteo Zuppi, atual presidente da CEI; o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin; o vigário de Roma, Baldo Reina; e Angelo Bagnasco, sucessor de Ruini na presidência da conferência episcopal.
Ao lembrar a trajetória do cardeal, Leão XIV definiu Ruini como "um pastor sábio e zeloso do rebanho de Cristo", destacando que ele serviu à Igreja por muitos anos em diferentes responsabilidades.
Além disso, o Papa afirmou que a Igreja na Itália e a diocese de Roma devem muito ao cardeal, que exerceu por cerca de 17 anos a presidência da CEI e o cargo de vigário de Roma.
De acordo com o Pontífice, Ruini conduziu a comunidade católica italiana em períodos de grandes desafios "com entusiasmo, discernimento e coragem".
Entre as marcas de seu ministério, citou seu compromisso com a presença dos católicos na vida religiosa, civil e política do país, a realização do Sínodo diocesano de Roma e sua atuação no diálogo entre a Igreja e a sociedade secular.
Ao final da Liturgia da Palavra, Leão XIV também recordou as pessoas que acompanharam Ruini em seus últimos momentos.
O cardeal estava em estado crítico desde 21 de maio, em sua residência em Roma, onde recebia cuidados médicos e oxigênio com o apoio das freiras que o acompanharam ao longo dos anos.
Natural de Sassuolo, Ruini completou 95 anos em 19 de fevereiro e vinha enfrentando diversos problemas de saúde nos últimos anos. Em setembro de 2025, o cardeal foi hospitalizado devido a complicações renais, mas apresentou melhora após o tratamento.
Antes disso, em julho de 2024, Ruini já havia sofrido um ataque cardíaco e permanecido por vários dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).