A Arábia Saudita interceptou mísseis lançados por rebeldes houthis contra Riade, cujos destroços danificaram a torre da petroleira Aramco no distrito financeiro da capital, sem deixar vítimas. O ataque a essa área simbólica eleva as tensões no conflito, intensificado após acusações mútuas de bombardeios recentes. Em paralelo, autoridades iemenitas afirmaram que a Síria enviará milhares de tropas para apoiar a coalizão saudita, informação que foi contestada por fontes diplomáticas de Damasco.
O reino "interceptou e destruiu dois mísseis balísticos lançados pela milícia terrorista houthi em direção a Riade", afirmou no X o porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, Turki al-Malki, que apoia o governo iemenita contra os combatentes pró-iranianos. Ele também anunciou a destruição de dois mísseis de cruzeiro, um lançado em direção a Riade e outro ao sul do país.
Três testemunhas informaram à AFP que a torre da petroleira Aramco no King Abdullah Financial District (KAFD) foi danificada. Vários andares pareciam afetados, com vidros quebrados e marcas visíveis na fachada.
Inicialmente, não estava claro se os estragos haviam sido provocados pelo impacto direto de um projétil ou por destroços resultantes da interceptação dos mísseis. Mais tarde, uma fonte do Ministério da Energia da Arábia Saudita afirmou que o prédio da Aramco foi atingido por estilhaços após a destruição dos projéteis no ar, causando apenas danos materiais. Segundo as autoridades, não houve vítimas.
"Fonte oficial do Ministério da Energia: tentativa de atingir um edifício da Saudi Aramco em Riade", informou um veículo de imprensa estatal em comunicado publicado no X neste domingo.
Distrito simbólico
Atacar este distrito simbólico pode representar uma escalada significativa no conflito entre o reino e os houthis. O King Abdullah Financial District é um dos principais símbolos da transformação econômica saudita e abriga a sede do Fundo de Investimentos Públicos (PIF), da bolsa de valores do reino e escritórios de grandes empresas internacionais.
A área também abriga residências e uma estação de metrô bastante movimentada nos horários de pico. Os disparos ocorrem poucas horas depois de o Ministério da Educação saudita ter anunciado, na noite de sábado, a retomada das aulas presenciais em Riade, após várias semanas de ensino a distância em decorrência de uma onda anterior de ataques.
A capital saudita, especialmente seu aeroporto, tem sido alvo frequente de ataques desde a retomada das hostilidades em julho. Os houthis intensificaram os disparos contra aeroportos, instalações energéticas e posições militares sauditas nos últimos meses.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, o porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou que os rebeldes realizaram seis operações envolvendo mísseis e drones contra instalações da Aramco, o aeroporto de Riade e posições militares sauditas.
A nova ofensiva ocorre após os houthis acusarem a coalizão liderada por Riade de ataques que teriam matado 33 pessoas, entre elas mulheres e crianças, na província de Sanaa, no sábado. As autoridades sauditas ainda não comentaram oficialmente essas acusações.
Apoio sírio
A Síria enviará milhares de soldados para a Arábia Saudita e para o Iêmen em apoio às forças que combatem os rebeldes houthis, aliados do Irã, segundo autoridades iemenitas ouvidas pela AFP.
De acordo com uma fonte do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, principal órgão governamental do país, Damasco enviará inicialmente 3 mil militares para ajudar a Arábia Saudita na ofensiva contra os houthis. Uma fonte do Ministério da Defesa iemenita afirmou ainda que o contingente poderá chegar a 10 mil soldados em etapas posteriores e que centenas de militares sírios já estariam posicionados nas áreas de fronteira.
A informação, no entanto, foi contestada por uma fonte diplomática síria citada pela agência estatal SANA, segundo a qual não houve envio de tropas ao Iêmen "neste momento".
Com AFP e RFI