Negação do Holocausto aumenta na Alemanha, diz diretora de Centro Anne Frank de Berlim

8 nov 2026 - 10h03
Resumo
A negação e a minimização do Holocausto estão crescendo entre jovens alemães, alerta Veronika Nahm, diretora do Centro Anne Frank de Berlim. O fenômeno é perceptível em redes sociais e exposições, impulsionado pela desinformação online e pela perda de profundidade no ensino escolar sobre o nazismo, decorrente de uma mudança geracional de professores. Nahm ressalta que essa lacuna educacional e histórica impede a juventude de compreender plenamente a realidade da própria Alemanha contemporânea.

Diretora do Centro Anne Frank de Berlim faz observação na véspera dos 88 anos dos pogroms de novembro contra os judeus.Negar ou minimizar o Holocausto é um fenômeno que está aumentando fortemente entre os jovens na Alemanha, afirmou a diretora do Centro Anne Frank de Berlim, Veronika Nahm, à agência de notícias católica KNA, nas vésperas do dia 9 de novembro.

Manifestação contra o aumento do antissemitismo em Berlim diante do Portão de Brandemburgo
Manifestação contra o aumento do antissemitismo em Berlim diante do Portão de Brandemburgo
Foto: DW / Deutsche Welle

Foi nessa data que, em 1938, ocorreram os pogroms de novembro, uma série de violentos ataques organizados pelo regime nazista contra judeus e instituições judaicas em todo o território do então Reich Alemão.

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Segundo Nahm, isso é particularmente evidente nas redes sociais em que o centro está presente. Numa postagem sobre o aniversário de Otto Frank (1889-1980) apareceu o comentário "eu já comemorei o dia 20 de abril", numa referência ao aniversário de Adolf Hitler.

Otto Frank foi o único sobrevivente de sua família ao Holocausto e o pai de Anne Frank, que foi assassinada no campo de concentração de Bergen-Belsen. Mais tarde, ele tornou públicos os diários que sua filha escreveu durante o período em que a família viveu escondida, tornando-os mundialmente conhecidos.

Nos comentários, também aparecem mensagens como "por que vocês lembram de Anne Frank e não de uma criança em Gaza?". O mesmo fenômeno é percebido nas exposições itinerantes organizadas anualmente em cerca de 20 cidades da Alemanha. "As pessoas perguntam, incrédulas: 'Isso aconteceu, mesmo?'".

Nahm ressalta que, muitas vezes, não se trata de má fé, mas simplesmente de falta de conhecimento por parte dos jovens. Segundo ela, o tema já não é tratado nas escolas alemãs com a mesma profundidade de 15 anos atrás. "Houve uma mudança geracional entre os professores. Para muitos docentes mais velhos, este era um tema muito importante, abordado em diversas disciplinas. Hoje a situação é diferente."

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Além disso, muitos jovens também recebem menos informações sobre o assunto em casa. "Eles acabam obtendo informações, que muitas vezes são falsas, por meio das redes sociais ou até mesmo de videogames."

Nahm alerta que é impossível entender a Alemanha de hoje sem conhecer o período nazista.

as (KNA)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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