Justiça do Paraguai decreta prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña; saiba detalhes

Justiça determina prisão preventiva de Santiago Peña após cassação unânime pelo Senado; entenda o escândalo financeiro que implodiu o governo.

8 nov 2026 - 09h12
Resumo
A Justiça do Paraguai decretou a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña após ele ser destituído por impeachment pelo Senado, que rejeitou sua renúncia. O estopim foi o colapso do Ueno Bank, que geria fundos públicos e possuía laços com Peña. Investigado por corrupção, lesão de confiança e tráfico de influência em operações financeiras irregulares, o ex-mandatário perdeu o foro privilegiado e foi detido, enquanto o vice Pedro Alliana assumiu o Executivo até 2028.

A derrocada política de Santiago Peña pegou a América Latina de surpresa e culminou, no sábado (7), na decretação de sua prisão preventiva pela Justiça do Paraguai. Economista de formação, ex-ministro da Fazenda e eleito em 2023 com o apoio do ex-presidente Horacio Cartes, Peña chegou ao poder pelo Partido Colorado, consagrado como o governante mais jovem da era democrática do país.

Justiça do Paraguai decreta prisão preventiva de ex
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Foto: presidente Santiago Peña - Christian Alvarenga/Getty Images / Perfil Brasil

No entanto, sua trajetória sofreu uma reviravolta dramática após a quebra do Ueno Bank, instituição que administrava centenas de milhões em fundos públicos e previdenciários e cujos laços societários anteriores do ex-presidente deflagraram uma crise institucional sem precedentes.

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A crise financeira do Ueno Bank e a queda do governo

O abalo político começou a tomar forma quando o Ueno Bank enfrentou colapso operacional e congelou o acesso de milhões de clientes aos seus depósitos, gerando protestos intensos em Assunção.

Relatórios técnicos do Banco Central do Paraguai apontaram irregularidades contundentes em operações de crédito bilionárias concedidas a empresas ligadas ao grupo controlador. A oposição e os parlamentares passaram a acusar a gestão de negligência e de favorecimento institucional, apontando que a instituição chegou a concentrar faturas expressivas de recursos estatais mesmo em meio aos alertas de insolvência financeira.

Do anúncio de renúncia ao julgamento relâmpago no Senado

Diante da pressão popular massiva nas ruas e de um processo iminente de destituição, Santiago Peña tentou manobrar politicamente na última quinta-feira (5) ao anunciar publicamente sua renúncia ao cargo, sob o argumento de que pretendia preservar a estabilidade democrática. Contudo, a manobra frustrou-se politicamente e o Congresso manteve o rito ativo. Na última sexta-feira (6), o Senado votou o processo de impeachment e aprovou a destituição de Peña por unanimidade, com 44 votos a favor e nenhum contra. Com a queda imediata do titular, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Executivo paraguaio para cumprir o restante do mandato até agosto de 2028.

Horas depois de perder o foro privilegiado e a imunidade inerentes à chefia de Estado, Peña foi detido preventivamente por ordem do juiz Humberto Otazú. Sob investigação por crimes de lesão de confiança, administração em benefício próprio e tráfico de influência no âmbito do escândalo da instituição bancária, o ex-mandatário prestou depoimento à Procuradoria-Geral em Assunção optando pelo silêncio.

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Devido à sensibilidade de suas antigas funções e ao acesso a dados confidenciais do sistema financeiro, a Justiça determinou que ele permaneça acautelado no Regimento de Escolta Presidencial enquanto o Ministério Público aprofunda as apurações patrimoniais e o bloqueio de bens, acompanhado de perto por autoridades como o ex-chefe do Banco Central, Carlos Carvallo.

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