No pior ataque a tiros na Polônia pós-comunismo, um jovem de 22 anos matou seis pessoas — incluindo os pais, a irmã e um britânico — e feriu 15 no centro de Cracóvia. Identificado como Michal O. e ligado à extrema-direita, o atirador disparou contra pedestres com um fuzil AR-15 até ser neutralizado pela polícia após perseguição e confronto. Ele está hospitalizado em estado crítico, e o primeiro-ministro Donald Tusk classificou a ação, executada por um agressor solitário, como ato de terrorismo.
Foi o pior ataque a tiros registrado na Polônia desde a queda do comunismo. O estado de saúde dos 15 feridos hospitalizados a apresentou uma leve melhora durante a noite, mas nem todos estão fora de perigo, segundo uma porta-voz da polícia citada pela imprensa polonesa.
Os cinco estrangeiros feridos têm nacionalidades britânica, portuguesa, russa, alemã e austríaca, informou a polícia. Dez cidadãos poloneses também ficaram feridos, incluindo dois policiais, durante o ataque ocorrido na antiga capital do país. Entre as seis pessoas mortas, uma é um cidadão britânico.
Atirador está em estado crítico
O atirador foi gravemente ferido pela polícia. Após passar por uma cirurgia, ele permanecia em estado crítico na manhã deste domingo, informou a porta-voz da polícia.
Os investigadores, convencidos de que ele agiu sozinho, trabalham para determinar suas motivações e seu perfil psicológico. Identificado na imprensa como Michal O. e nascido em 2002, ele vivia com os pais e a irmã em um apartamento em Ostrowiec Świętokrzyski, uma cidade de médio porte situada a duas horas de viagem de Cracóvia.
Os corpos dos três foram encontrados pela polícia na residência da família. "Descobrimos os corpos de três pessoas em um apartamento no centro de Ostrowiec Swietokrzyski: um homem de 53 anos e duas mulheres, de 52 e 21 anos. Trata-se dos pais e da irmã" do autor, informou a polícia em um comunicado no domingo.
"Os corpos apresentavam ferimentos (...) a bala", segundo a mesma fonte. Sete armas de fogo foram apreendidas.
Troca de tiros
O agressor chegou de carro nas imediações da Praça do Mercado, na Cidade Velha de Cracóvia, um local muito frequentado por visitantes estrangeiros, e abriu fogo contra pedestres, turistas, taxistas e até mesmo condutores das charretes que são um símbolo da cidade.
A polícia interveio em poucos minutos. Teve início, então, uma perseguição entre o autor dos disparos, que dirigia um Subaru preto, e uma equipe da polícia local.
Em um cruzamento, o homem colidiu com um veículo que estava parado. Vestindo uniforme militar e com máscara, capacete e colete de proteção, ele saiu do carro e trocou tiros com dois policiais, armado com um fuzil semiautomático AR-15.
Os dois agentes foram atingidos pelos disparos, mas um deles, apesar dos ferimentos, conseguiu neutralizá-lo. Imagens dessa troca de tiros, ocorrida praticamente à queima-roupa, circulam nas redes sociais.
Perfil do suspeito
Segundo investigadores citados pela imprensa polonesa, Michal O. não tinha antecedentes criminais. Ele era sócio de um clube de tiro, assim como o pai.
Na noite de sábado, o ministro do Interior levantou a hipótese de que o homem seria adepto de ideias "ultranacionalistas". "Tudo indica que ele era fascinado por ideologias de extrema-direita", afirmou Marcin Kierwiński.
"Na Polônia, não presenciamos casos de terrorismo tão radicais - é exatamente assim que se deve chamar este atentado atroz contra a vida das pessoas aqui, na Cracóvia", declarou o primeiro-ministro Donald Tusk no sábado, durante uma coletiva de imprensa no local.
Com AFP