Atirador de extrema direita matou britânico e feriu estrangeiros de cinco nacionalidades na Cracóvia

A Polônia está em luto nacional neste domingo (8) e na segunda-feira (9), depois que um jovem, descrito pelas autoridades como "fascinado" pela extrema direita, abriu fogo contra pedestres no centro histórico de Cracóvia. Seis pessoas morreram, entre elas um britânico, e outras 15 ficaram feridas, inclusive estrangeiros de cinco nacionalidades, na região da Praça do Mercado, no centro histórico da principal cidade turística do país.

8 nov 2026 - 07h04
Resumo
No pior ataque a tiros na Polônia pós-comunismo, um jovem de 22 anos matou seis pessoas — incluindo os pais, a irmã e um britânico — e feriu 15 no centro de Cracóvia. Identificado como Michal O. e ligado à extrema-direita, o atirador disparou contra pedestres com um fuzil AR-15 até ser neutralizado pela polícia após perseguição e confronto. Ele está hospitalizado em estado crítico, e o primeiro-ministro Donald Tusk classificou a ação, executada por um agressor solitário, como ato de terrorismo.

Foi o pior ataque a tiros registrado na Polônia desde a queda do comunismo. O estado de saúde dos 15 feridos hospitalizados a apresentou uma leve melhora durante a noite, mas nem todos estão fora de perigo, segundo uma porta-voz da polícia citada pela imprensa polonesa.

Os cinco estrangeiros feridos têm nacionalidades britânica, portuguesa, russa, alemã e austríaca, informou a polícia. Dez cidadãos poloneses também ficaram feridos, incluindo dois policiais, durante o ataque ocorrido na antiga capital do país. Entre as seis pessoas mortas, uma é um cidadão britânico.

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Atirador está em estado crítico

O atirador foi gravemente ferido pela polícia. Após passar por uma cirurgia, ele permanecia em estado crítico na manhã deste domingo, informou a porta-voz da polícia.

Os investigadores, convencidos de que ele agiu sozinho, trabalham para determinar suas motivações e seu perfil psicológico. Identificado na imprensa como Michal O. e nascido em 2002, ele vivia com os pais e a irmã em um apartamento em Ostrowiec Świętokrzyski, uma cidade de médio porte situada a duas horas de viagem de Cracóvia.

Em Ostrowiec Świętokrzyski, polícia encontrou corpos de familiares do atirador que atingiu mais de 20 pessoas no centro da Cracóvia. (07/11/2026)
Em Ostrowiec Świętokrzyski, polícia encontrou corpos de familiares do atirador que atingiu mais de 20 pessoas no centro da Cracóvia. (07/11/2026)
Foto: RFI

Os corpos dos três foram encontrados pela polícia na residência da família. "Descobrimos os corpos de três pessoas em um apartamento no centro de Ostrowiec Swietokrzyski: um homem de 53 anos e duas mulheres, de 52 e 21 anos. Trata-se dos pais e da irmã" do autor, informou a polícia em um comunicado no domingo.

"Os corpos apresentavam ferimentos (...) a bala", segundo a mesma fonte. Sete armas de fogo foram apreendidas.

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Troca de tiros

O agressor chegou de carro nas imediações da Praça do Mercado, na Cidade Velha de Cracóvia, um local muito frequentado por visitantes estrangeiros, e abriu fogo contra pedestres, turistas, taxistas e até mesmo condutores das charretes que são um símbolo da cidade.

A polícia interveio em poucos minutos. Teve início, então, uma perseguição entre o autor dos disparos, que dirigia um Subaru preto, e uma equipe da polícia local.

Em um cruzamento, o homem colidiu com um veículo que estava parado. Vestindo uniforme militar e com máscara, capacete e colete de proteção, ele saiu do carro e trocou tiros com dois policiais, armado com um fuzil semiautomático AR-15.

Os dois agentes foram atingidos pelos disparos, mas um deles, apesar dos ferimentos, conseguiu neutralizá-lo. Imagens dessa troca de tiros, ocorrida praticamente à queima-roupa, circulam nas redes sociais.

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Perfil do suspeito

Segundo investigadores citados pela imprensa polonesa, Michal O. não tinha antecedentes criminais. Ele era sócio de um clube de tiro, assim como o pai.

Na noite de sábado, o ministro do Interior levantou a hipótese de que o homem seria adepto de ideias "ultranacionalistas". "Tudo indica que ele era fascinado por ideologias de extrema-direita", afirmou Marcin Kierwiński.

"Na Polônia, não presenciamos casos de terrorismo tão radicais - é exatamente assim que se deve chamar este atentado atroz contra a vida das pessoas aqui, na Cracóvia", declarou o primeiro-ministro Donald Tusk no sábado, durante uma coletiva de imprensa no local.

Com AFP

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