Globo jogou sem querer Tralli em uma armadilha e agora precisa salvar a imagem do apresentador
Jornalista completa 12 meses no ‘Jornal Nacional’ com inédita onda de críticas
Na terça-feira, 3 de novembro, César Tralli fez um ano como titular na bancada do ‘Jornal Nacional’. O clima não é de festa.
A data simbólica foi prejudicada pela surpreendente impopularidade do apresentador nas redes sociais.
Sua curva de aprovação começou a cair em agosto, quando o desempenho nas sabatinas no ‘Entrevista com o Candidato’ gerou críticas por apatia diante dos presidenciáveis.
Já a descontração excessiva na ‘Marcha da Apuração’ do 1º turno, inclusive com risos após a confirmação da vitória de Flávio Bolsonaro (PL), foi interpretada como preferência partidária e piorou a antipatia de parte do público.
A impressão é de que a Globo atirou involuntariamente Tralli em uma armadilha ao deixá-lo superexposto e fora das condições que o consagraram.
Na cobertura eleitoral, pesou a comparação com o antecessor, William Bonner, ainda na memória afetiva dos telespectadores por comandar sete plenos gerais desde 1998.
O estranhamento de Tralli no ‘JN’ acontece por mostrá-lo amarrado ao roteiro rígido do telejornal, sem espaço nem liberdade para improvisos e análises, como fazia tão bem no ‘Jornal Hoje’ e no ‘Edição das 18h’ da GloboNews.
Esses efeitos colaterais da merecida promoção do apresentador certamente não foram previstos pela emissora e impõem um desafio à direção: como reverter o mau humor contra o âncora?
Deixar o ‘Jornal Nacional’ mais informal e analítico para resgatar o estilo de Tralli parece improvável, assim como transferi-lo a outro posto, o que representaria um estrago ainda maior à sua imagem.
Por hora, a solução possível parece ser dar tempo ao tempo e tentar usar os seis milhões de seguidores que ele tem no Instagram para contrabalançar a rejeição inesperada.
Outra providência potencialmente positiva seria colocá-lo mais vezes em atuação externa, junto ao povo, como aconteceu na cobertura de temporais e deslizamentos em Juiz de Fora (MG), em fevereiro, quando o apresentador exibiu sua admirada habilidade como repórter.
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