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Política

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Crescimento da bancada bolsonarista faz Câmara correr para mudar eleição para deputado federal antes do novo Congresso

Discussão, de interesse do Centrão, ocorre em meio a preocupações na concentração de voto em candidatos com grande alcance digital

30 out 2026 - 05h00
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O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, foi o mais votado de todo o Brasil
O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, foi o mais votado de todo o Brasil
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O avanço de nomes ligados ao bolsonarismo nas eleições para a Câmara entrou no debate sobre mudanças no sistema de escolha dos deputados federais. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende avançar ainda neste ano com uma proposta para adotar o voto distrital misto, em meio às discussões sobre as regras que valerão para a próxima legislatura.

Na avaliação de parlamentares ouvidos pelo Terra, o crescimento da bancada bolsonarista é um dos fatores por trás da movimentação para alterar o sistema eleitoral antes da posse do novo Congresso. 

Nos bastidores, um deputado do PT ouvido pela reportagem concordou que o avanço de nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), além de outros candidatos que ampliaram sua votação com a força das redes sociais, contribuíram para acelerar a discussão.

Um parlamentar bolsonarista também avaliou que o crescimento da bancada ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve influência direta na iniciativa da Câmara de discutir mudanças nas regras para a eleição de deputados federais. 

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou ao Terra que o partido é contrário ao voto distrital misto. “Somos contra o voto distrital misto com toda certeza", declarou.

Redes sociais entram no centro da discussão

Também em anonimato, outro deputado, que não é ligado ao bolsonarismo, apontou que a discussão sobre o sistema eleitoral ocorre em meio a preocupações com a influência das redes sociais nas campanhas e na concentração de votos em candidatos com grande alcance digital.

“O problema está em tentar passar uma regulamentação de redes durante as eleições junto. Essa medida do TSE de não permitir recomendação do algoritmo durante o pleito já foi um tiro no pé. Se a tendência for não somente a manutenção dessa medida, mas também sua expansão, a tendência do eleitor em concentrar votos em influencers só tende a aumentar ainda mais”, afirmou.

A avaliação é que as regras de funcionamento das plataformas e a distribuição de conteúdo político podem interferir na forma como os candidatos conquistam visibilidade e mobilizam eleitores. Nesse cenário, parlamentares com forte presença digital podem concentrar votos e ampliar sua influência sobre a composição das bancadas.

Como funciona a proposta em discussão

O voto distrital misto prevê que o eleitor faça duas escolhas: uma para um candidato de seu distrito eleitoral e outra para um partido. Parte das cadeiras seria ocupada pelos candidatos mais votados em cada região, enquanto as demais seriam distribuídas conforme o desempenho das legendas.

Atualmente, deputados federais são eleitos pelo sistema proporcional de lista aberta, no qual a votação dos partidos e dos candidatos influencia a distribuição das cadeiras. O modelo permite que candidatos com votação expressiva contribuam para eleger outros integrantes da mesma legenda, dinâmica associada aos chamados “puxadores de votos”.

A mudança também alcançaria deputados estaduais e distritais e vereadores. Presidente da República, governadores, prefeitos e senadores continuariam sendo escolhidos pelo sistema majoritário.

A previsão discutida é implementar integralmente o voto distrital misto em 2034, com uma etapa de transição em 2030. Entre as alternativas mencionadas está o distritão, modelo em que os candidatos individualmente mais votados em cada estado conquistam as vagas disponíveis.

A proposta ainda depende de negociação entre os partidos e de definição dos detalhes da transição. A resistência do PL, que integra a oposição ao governo Lula e reúne parlamentares bolsonaristas, é um dos obstáculos políticos à construção de um acordo.

Valdemar diz que nem Bolsonaro sabia sobre plano de Flávio para fugir e que 'ninguém aprovou’ carta:
Fonte: Portal Terra
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