Ataques contra Marina Ruy Barbosa ressaltam o incômodo que ela causa em quem a admira e a vê como rival ao mesmo tempo
Atriz vira alvo após declarar voto em Lula e deixa de ser seguida por algumas amigas em redes sociais
As críticas explícitas ou veladas de algumas mulheres da alta sociedade paulistana contra Marina Ruy Barbosa partem inicialmente de sua declaração de voto em Lula.
Um posicionamento político que parece incoerente, mas não é. Afinal, trata-se de uma artista com pensamento progressista, como a maioria dos colegas de profissão.
Além disso, é alguém que faz parte da parcela da elite econômica que se identifica com o petista: 39,3% dos mais ricos do país (com renda mensal a partir de R$ 26,2 mil) votaram no 1º turno para reeleger o presidente, segundo a ‘Folha de S. Paulo’.
O motivo principal da hostilidade contra a atriz parece ser menos ideológico e mais comportamental: a velha rivalidade feminina.
Aos 31 anos, Marina Ruy Barbosa possui beleza, sensualidade, glamour, talento, fortuna e completa independência profissional.
É celebrada pelas maiores marcas do mercado publicitário, endeusada pelo universo da moda, só atua quando realmente quer e exibe um estilo de vida de diva hollywoodiana.
Para completar o ‘pacote de perfeição’, tem um histórico de relacionamentos com homens bonitos, charmosos e ricos.
Uma vida sonhada — e não alcançável — pela maioria das pessoas, mesmo aquelas nascidas em famílias com sobrenome tradicional e que têm uma herança garantida.
Marina se tornou o símbolo do que tantas mulheres gostariam de ser e ter. Ao mesmo tempo, suscita incômodo justamente por despertar sentimentos como frustração, rivalidade e ameaça.
A agressividade contra ela é uma reação previsível, como apontou o psicanalista francês Jacques Lacan a respeito da identificação narcísica: muitas vezes, atacamos no outro aquilo que desperta em nós uma figura idealizada que não conseguimos reproduzir.
Outra referência da psicanálise, a austríaca Melanie Klein, destacou a ideia de que um indivíduo tomado pela inveja pode não apenas querer possuir o que pertence a uma pessoa.
Ele desenvolveria o impulso de desvalorizar ou até tentar destruir o objeto de desejo, seja de valor material ou intangível, como beleza, prestígio e fama.
Atacar a imagem de uma personalidade tão acima da média como Marina Ruy Barbosa pode evidenciar inseguranças e ressentimentos íntimos de quem a hostiliza. Seria uma tentativa de diminuir o próprio desconforto e proporcionar a si mesmo uma sensação de vingança.
Este texto não tem, obviamente, o objetivo de diagnosticar nem julgar os críticos da artista. Até porque se sabe apenas fragmentos dos atritos dela com as mulheres que a expõem publicamente.
Trata-se de mero exercício de interpretação para mostrar uma visão psicanalítica da circunstância.
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