A popularidade de Donald Trump caiu para a mínima histórica de 31%, segundo pesquisa Reuters/Ipsos. O declínio, impulsionado pela alta da inflação e pelo conflito com o Irã que elevou os custos dos combustíveis, atinge a gestão econômica do presidente, desaprovada por 68% dos eleitores. O cenário fortalece os democratas, que lideram a preferência eleitoral com 12 pontos de vantagem, impulsionados pelo voto feminino, ameaçando o controle republicano no Congresso nas eleições de meio de mandato.
Com informações de Marine de La Moissonnière, da RFI de Paris, e da Reuters
A pesquisa Reuters/Ipsos , realizada ao longo de quatro dias, mostra uma queda de um ponto percentual em relação à última pesquisa. Há um mês, o presidente já havia atingido um recorde de apenas 32% de aprovação.
Se as eleições fossem realizadas hoje, a oposição teria uma vantagem de 12 pontos percentuais, com 47% dos eleitores votando nos democratas, contra 35% nos republicanos. Essa é a maior diferença registrada desde o início do atual ciclo eleitoral. O resultado reforça as expectativas de os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.
Para os republicanos, uma derrota em uma ou nas duas casas do Congresso americano poderá dificultar a aprovação da agenda de Trump nos dois últimos anos de seu segundo mandato.
Mudanças no eleitorado feminino
A pesquisa também aponta uma mudança importante no eleitorado feminino. Metade das mulheres entrevistadas disse que votaria nos democratas, enquanto 32% declararam preferência pelos candidatos republicanos. Entre os homens, os democratas também aparecem à frente, embora com vantagem menor.
A queda na popularidade do presidente se intensificou após a guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no fim de fevereiro com apoio de Israel. O conflito provocou alta nos preços dos combustíveis em diversas partes do mundo e atingiu um dos principais trunfos políticos de Trump que era sua política econômica.
Segundo o levantamento, 68% dos americanos desaprovam a forma como o presidente conduz a economia. Os entrevistados consideram os democratas mais aptos para gerir o tema, por 40% a 33%.
Inflação
O custo de vida é a principal preocupação dos eleitores americanos na campanha para as eleições legislativas de meio de mandato, contextualiza a jornalista Marine de La Moissonnière da RFI. Donald Trump não cumpriu sua promessa de reduzir os preços, e muitos americanos, inclusive dentro de seu próprio campo político, o responsabilizam por isso.
Na Carolina do Norte, estado tradicionalmente conservador, a questão da inflação pode abrir caminho para a eleição de um candidato democrata ao Senado. O estado não elege um democrata para o Senado há 20 anos.
Mas a preocupação com o custo de vida não se limita a esse estado predominantemente rural. O tema domina a campanha eleitoral em todo o país, especialmente porque Trump venceu a eleição presidencial prometendo conter a alta dos preços.
Embora a inflação esteja hoje em um patamar inferior ao registrado durante o governo de Joe Biden, os preços voltaram a acelerar. Em setembro, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,7%, acima dos 2,7% registrados há dois anos, quando Trump venceu a eleição presidencial.
Os custos de energia são os que mais pressionam o orçamento das famílias americanas, com aumentos expressivos dos preços dos combustíveis e da eletricidade.
A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada pela internet com 1.679 adultos americanos, incluindo 1.279 eleitores registrados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para o total da amostra e de três pontos para os eleitores registrados.